UMA BICICLETA DIFERENTE

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A balance bike, uma bicicleta sem freio e sem pedal, promete desenvolver equilíbrio e autonomia nas crianças 

Por Layse Moraes
Fotos Fábio Pitrez

Berlim, 2014. De passagem pela cidade, uma coisa me chamou atenção: bicicletinhas sem pedal sendo pilotadas por crianças muito pequenas com a maior destreza e habilidade. Eram as balance bikes e estavam por todas as partes. Anos depois, as bicicletinhas começaram a aparecer por aqui com mais frequência e conquistar adeptos – em Londrina, o Campeonato brasileiro de Bmx, que aconteceu em novembro, teve uma categoria de balance bike para crianças de até 5 anos.

Essa bicicleta diferente nada mais é do que um modelo sem freio e sem pedal – a proposta não é nova, mas ainda falta se popularizar. O preço varia de R$ 200 a mais de R$ 550, indo de marcas nacionais a importadas. A faixa etária indicada varia, mas vai de 2 a 4 anos, em média. Rodolfo Piccolo Rumiato, proprietário da Kött Cyclery, foi um dos primeiros a trazer esse modelo para Londrina. Ele conta que a idade adequada depende do tamanho e do desenvolvimento da criança, já que ela precisa apoiar o pé no chão.

O começo é lúdico, quase como uma brincadeira. As crianças só ficam balançando e aos poucos vão se sentindo seguras para ir além. Por aqui, aos poucos grupos vão sendo formados para que pais e crianças possam interagir e cada vez mais as vendas de modelos assim aumentam.

Entre os que abraçaram a ideia da balance bike, estão Tatiana Rodrigues, Daniel Toledo, Cristine Garcia e Natália Ribeiro. Todos eles têm uma coisa em comum: filhos entusiasmados com a bicicletinha: Samuel (3), Enzo (3), Rebecca (2) e Thiago (2), respectivamente.

Daniel Toledo, pai do Enzo, conta que ele ganhou uma aos dois anos. “Ele perdeu o medo e deu uma evoluída interessante na questão do equilíbrio, porque vai pegando confiança”. Enzo também faz questão de contar o que o que mais gosta na balance bike: “ela é bem veloz, tipo o McQueen [personagem da animação Carros]”.

Cristine Garcia, mãe da Rebecca, conta que ela ganhou a balance quando nem andava ainda. Primeiro se familiarizou com a bicicleta andando na cadeirinha com o pai e depois passou para a balance bike. “No início ela andava três passos e parava. Agora ela já está solta e segura”. 

Rodolfo explica que todo conceito da linha se baseia em uma noção funcional, já que “desenvolver o equilíbrio, desenvolver a velocidade e acelerar e desacelerar com o pezinho geram uma independência de uso muito especial”. Como a balance bike não tem freio, o equilíbrio e o controle são ganhos naturais, “o que faz com que a transição para a bicicleta convencional seja mais natural, porque é só aprender a pedalar. A criança ganha autonomia para fazer coisas. Os pais tem que incentivar e esquecer as rodinhas. Passando da balance bike pra clássica, já vai sem rodinha e com um domínio e uma autonomia muito grandes. Até os pediatras já a indicam para desenvolver o equilíbrio”, enfatiza ele.