A ARTE MILENAR DOS TAPETES

_CBG0948 copy

Tradição persa faz da Galeria Behrouzi uma referência na arte da tapeçaria

Por Layse Moraes
Fotos Fábio Pitrez

Os tapetes são uma arte milenar que surgiu na Pérsia, atual Irã, em 500 anos a.C.. Inicialmente, sua existência era voltada à funcionalidade: eram necessários no frio intenso, mas, com o passar dos séculos, eles foram ganhando status de arte. Também do Irã são os irmãos Behrouzi, Jahangir e Houshang, sócios da Galeria Behrouzi.

Os irmãos saíram do Irã em 1977, junto com suas respectivas famílias. “Tínhamos o desejo de conhecer novas culturas e escolhemos, dentro das possibilidades, o Brasil. Viemos como uma família que tenta uma vida nova em um lugar novo”, diz Faezeh, esposa de Jahangir. Ela também conta que a partir de 1979, pouco depois de eles deixarem o país, a situação por lá começou a ficar bastante complicada por conta da Revolução Iraniana, que transformou o Irã em um lugar fundamentalista e cheio de repressão. Os Behrouzi nunca mais voltaram para a terra natal e consideram-se brasileiros. “Da onde vocês são? Sempre perguntam… Nós somos daqui, eu juro!”, diz a bem humorada Faezeh.

 Já no Brasil, escolheram Londrina para se fixar. Fariam tudo o que fosse possível para a vida dar certo, para sustentar a família. Eis que o contato com importadores de tapetes persas os fez pensar nessa possibilidade e acreditar nesse negócio. É aí que nasce a Galeria Behrouzi, em 1989.

Faezeh conta que lá no Irã as casas eram forradas de tapetes, então essa cultura milenar sempre fez parte do dia a dia dos iranianos. “Até no banheiro tinham tapetes. Era natural. Só depois nos demos conta do quanto essa arte era reconhecida no mundo todo”.

Para existir, um tapete persa precisa passar pelas mãos de várias pessoas. Antigamente, eram feitos em aldeias – o pai cuidava das ovelhas e os filhos trabalhavam com o feitio. A cor da tinta era feita com elementos naturais, como flores e frutas. Esse método, totalmente artesanal e familiar, acabou perdendo um pouco de espaço devido aos problemas que o Irã enfrenta até hoje: “muitas pessoas deixaram de fazer tapetes porque o processo demora muito… seis meses, um ano. Então elas demoram muito para receber o pagamento”, diz Jahangir. Mas não tem jeito: “Os mais famosos tapetes do mundo são os do Irã e ganham de todos os outros”, conclui ele.

Entre os tipos possíveis, existem tapetes de lã sobre algodão, lã sobre lã, seda sobre algodão e seda sobre seda. Há também algumas variáveis que impactam na qualidade e no preço dos tapetes persas, como a quantidade de nós, a variedade de cores e a lã, além do fato de serem ou não antiguidades – tapetes de mais de 80 anos são considerados como tal, “mas são mais raros”, conta Jahangir. Outro fato curioso é que os tapetes levam os nomes das cidades onde foram feitos e cada um tem suas próprias características. Entre os melhores tapetes persas estão o Isfahan, o Nain, o Qon e o Tabriz. Um exemplar deste último está entre os destaques mais valiosos da Galeria Behrouzi.

Na loja, há basicamente três tipos de tapetes: de nó, de tear e feitos à máquina. Estes últimos são mais baratos, já que levam menos tempo para serem confeccionados, mas também podem ser considerados tapetes persas. “Temos aqui modelos importados do Irã feitos à máquina e que também são muito sofisticados”. Os irmãos Behrouzi também destacam o tapete Kilim (tecido por povos nômades de vários lugares, como Turquia, Irã, Rússia, China, Paquistão, Marrocos e Índia), que tem sido um grande sucesso de público por conta do aspecto mais minimalista e das formas geométricas. Mais rústico, o Kilim tem o benefício de ser dupla face e é, no geral, mais barato do que o clássico tapete persa.

Referência em tapetes, a Galeria Behrouzi não atende só a região de Londrina. Pelo Facebook e pelo Whatsapp, negociações são feitas por todo o Brasil. No entanto os londrinenses tem uma vantagem… “Insistimos para que o cliente não decida pelo seu tapete aqui na loja. Então o cliente escolhe dois ou três, levamos até a casa dele, e aí sim ele vai ver no próprio lar a combinação de cores e a combinação com o ambiente. A gente quer que quem compre o tapete fique satisfeito, porque é uma coisa que vai ser vista todo dia. Tapete é uma obra de arte no chão, principalmente tapetes persas. Só depois de 50 anos ou 60 anos é que começam a apresentar desgaste”.

Além da venda de tapetes, a Galeria Behrouzi também trabalha com lavagem especializada e reforma de qualquer tipo de tapetes, feitos à mão ou à máquina; também fazem cortes de tapetes no tamanho desejado pelo cliente, tingimentos e recuperação. “As reformas ficam perfeitas. Quase não dá para perceber a diferença entre a parte recuperada e a original”.

Apesar de nunca terem voltado para o Irã, a cultura persa se mantém firme no cotidiano da família Behrouzi. Do chá persa aos tapetes, tudo dialoga com a identidade de origem. “O tapete é uma arte milenar. Toda vez que você olha um tapete feito à mão, você vê que tem uma história de vida ali. Você pode olhar para esse tapete e imaginar aquela família que ficou um ano trabalhando em cima disso, no dia a dia. Aquela família fez uma obra de arte. Tem um canto do mundo em cima desses tapetes. Não é só a beleza, é também a história”.

Se depender dos Behrouzi, a história e a tradição persa, assim com os tapetes, continuarão sendo atemporais.

CUIDADOS COM OS TAPETES

  • Não passe escova nas franjas do tapete, porque a escova abre as franjas e as gastam mais rápido.
  • Evite umidade e lugares fechados. Se precisar guardar o tapete, o ideal é tirá-lo para deixar respirar quinzenalmente.
  • Poupe seu tapete do sol direto – ele acaba fazendo com que a cor desbote.
  • Não passe o aspirador no sentido contrário à trama, mas sim a favor do fio.

QUANDO LAVAR O TAPETE?

  • Uso intenso pede lavagem uma vez ao ano. Usos mais moderados, de dois a três anos.

Fezeh e Jahangir mostram alguns dos tapetes persas disponíveis na Galeria Behrouzi

 

          

     

0 Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*