D. LIFE #3 POLE DANCE

_CBG6070

Dispa-se dos seus preconceitos e conheça essa modalidade que traz autoestima e força – e não só no sentido literal! O pole dance vai muito além das aparências e do primeiro impacto que costuma causar.

Há 6 anos o poledance surgia em Londrina. Neyva de Oliveira, pioneira na modalidade por aqui e quem está à frente da escola de dança A2, investiu em aulas, preparação, capacitação e pode afirmar: de lá para cá, muita coisa mudou. “Muitos lugares não queriam alugar espaço por ser uma escola de pole, alegando que só sexy shop poderia ter… muitos homens em rede social fazendo propostas para mim, maridos não querendo que as esposas de fossem à aula… Há o preconceito, sim, mas isso vem melhorando e a procura é enorme”. E qual é a essência do pole dance?, pergunto. “Pole é determinação, autoconfiança, autoestima, empoderamento, dedicação e amizade”, Neyva define.

Para Pim Lopes, artista plástica, o caminho foi diferente, mas igualmente apaixonante. Ela, que começou a dançar aos 7 anos, transitou por vários tipos de danças até se encontrar na dança contemporânea, mas ainda assim estava meio frustrada. Foi quando fez sua primeira aula de pole dance (e achou super difícil!). A despretensiosidade do primeiro encontro de Pim com o pole dance acabou virando coisa séria – hoje ela é professora e montou recentemente o Pólen Studio. Mais do que ensinar e aprender, Pim encontrou no pole dance um espaço para poder ser o que quiser: “Quando eu conheci o pole, senti que tanto a minha brutalidade, a minha força, tudo o que era meio desencaixado no ballet, encaixou perfeitamente no pole. No pole eu sinto que eu posso ser o que eu quero ser”.

Talia Antoniolli é outro feliz caso de amor com o pole dance. Ela ficou quase 15 anos sem praticar atividade física e acabou conhecendo o pole dance por meio da Pim. “Comecei a fazer aula com ela e não parei mais. No começo, meu corpo estava preparado, mas a minha mente foi trabalhando muito. Algo que vai além da mecânica, algo sobre a intenção do movimento, a expressão. É todo um processo. O pole dance, para mim, tem sido um alimento. Aqui tem muito uma coisa de se olhar no espelho, de se olhar do jeito que você é, aceitar a sua expressão”, conta ela, que também já dá aulas da modalidade e é sócia da Pim no Pólen Studio.

Aceitar a própria natureza

Entre as mulheres que praticam o pole dance, uma coisa é unanimidade: autoaceitação. Pim explica: “A gente vai se enxergando e vendo nosso próprio corpo. Ao mesmo tempo em que vai trabalhando o corpo, você começa a focar a sua beleza em outro lugar e algumas coisas param de ter tanta importância. O corpo para de ser um troféu e se transforma em um veículo”, conclui. Para Talia, “é uma coisa individual e progressiva e o olhar sobre si mesma mexe com o seu interior”.

A autoestima é realmente um dos pilares do pole dance. Pim conta que as meninas mal se olham no espelho nas primeiras aulas e, quando se olham, se reprimem: “Com o passar do tempo, as meninas começam a se despir, já que o pole dance exige o contato corpo com a barra, para conseguir travar nos movimentos. Então, a partir do momento em que as meninas se despem da roupa, também se despem das barreiras e começam a ter outra relação consigo mesmas”, explica Pim.

Denise Akemi, professora de sociologia e aluna de pole dance há um ano, confirma: “A partir do momento em que tive que realmente me encarar naquele espelhão do studio, percebi que não gostava muito de me olhar. Aí, com o passar das aulas, fui naturalizando mais essa coisa de me enxergar no espelho ali, de fazer os movimentos, as coreografias, e me perceber através do reflexo”, conta ela.

Pim completa: “Eu amo meu corpo, porque ele é que me proporciona um prazer tão incrível que não importa a forma que ele tenha! Esse corpo já se torna mais interessante para si e o amor próprio começa a vir a partir desse prazer que o próprio corpo proporciona”.

Assim como a Neyva, Pim conta que também já sofreu preconceito: “A pessoa presume que você é prostituta por conta da aula de pole dance. Já rolou muito preconceito. Se você não bate no peito e fala: ‘sou professora, sou atleta e você me respeita’, o negócio fica tenso”.

No entanto, com a popularização do pole dance, isso tudo vai se quebrando e a modalidade vai se aproximando cada vez mais do lugar ao qual pertence: arte e esporte – o pole dance, aliás, luta para se tornar esporte olímpico e tem tudo para ser reconhecido como um já nas próximas olimpíadas.

Pole para todos

O pole dance abraça todos os tipos de corpos, não tem limite de idade e homens também podem participar. “Há alunas de mais de 40 anos”, explica Pim, que também reforça que, como todo exercício, é legal que a pessoa esteja em boas condições de saúde.

O mais importante, no entanto, é voltar-se para si mesma, um caminho natural para as praticantes do pole dance. “As pessoas acham que você está fazendo aqueles movimentos para agradar alguém, mas aqueles movimentos são para você! É um sensual, mas não é um sensual para agradar o outro, é um sensual para você se descobrir”, conclui Pim.

0 Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*