D.FRESH #4 PARA ALÉM DO FILO

CAPA FILO

O FILO (Festival Internacional de Londrina) é um dos momentos mais esperados pelos londrinenses! Com espetáculos lotados – e muitos outros esgotados -, a edição do Festival deste ano contou até mesmo com a primeira apresentação de Fernanda Montenegro nos palcos londrinenses em uma leitura de Nelson Rodrigues que lotou o Ouro Verde e rendeu aplausos calorosos – como não podia deixar de ser!

Para quem perdeu ou quer fazer o FILO reverberar por mais tempo, selecionamos algumas peças baseadas em outras obras, para você poder ler/assistir quando quiser!

 

O galo

Na peça O Galo, da Oco Teatro Laboratório, um galo de briga, herança de um filho morto, é um símbolo da luta do dia a dia, das ausências, verdades e incertezas de uma família. O animal também é a esperança que se mantém viva com muito sacrifício. Inspirada na obra “Ninguém Escreve ao Coronel”, de Gabriel García Marquez, escritor colombiano e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, a montagem mostra como duas pessoas se unem para sobreviver a situações extremas, debatendo-se constantemente entre a razão e a paixão, entre a necessidade de subsistir e a memória do ser amado.

Tom na fazenda

Uma fazenda, um funeral. Após a morte do companheiro, Tom se depara com o fato de nunca ter existido para a família do namorado. Nesse ambiente rural austero, ele cai numa trama de mentiras criadas pelo truculento irmão do falecido que tenta, a todo custo, esconder da mãe a orientação sexual de Tom. O texto parte da sexualidade para falar de maneira ampla sobre as relações humanas. Idealizado pelo ator e produtor Armando Babaioff, que também assina a tradução, a encenação de Rodrigo Portella estreou em 2017 no Rio de Janeiro e tem cinco indicações ao Prêmio Shell – Rio: direção, cenário, música e ator.

A peça, de autoria do canadense Michel Marc Bouchard, acabou adaptada para o cinema pelo jovem e premiado cineasta Xavier Dolan.

Leite derramado

O romance homônimo de Chico Buarque ganha versão teatral da Cia Club Noir. O protagonista é Eulálio D’Assumpção, um aristocrata falido que, aos 100 anos de idade, encontra-se abandonado numa maca em um corredor de hospital público. A atriz Juliana Galdino, indicada ao Prêmio Shell pela atuação na montagem, está inacreditável no papel e se metamorfoseia em Eulálio de forma impressionante. Assim como no livro, a constatação é uma só: “A memória é uma vasta ferida”.

Nelson Rodrigues por ele mesmo

A leitura dramática do livro “Nelson Rodrigues por ele mesmo”, compilação de crônicas e entrevistas do dramaturgo, feita pela Fernanda Montenegro no FILO foi, com certeza, o momento mais marcante de todo Festival. Nas palavras dela: “O Tempo é o Sr. da Razão. Hoje, Nelson é o autor mais representado no Brasil. Toda a sua obra é tema de encenações. Até a esportiva. São gerações que não o conheceram nem viveram os problemas de sua época e que trazem novas visões para novas plateias”.

Para não morrer

Nessa peça, inspirada na obra de Eduardo Galeano, Nena Inoue, no seu primeiro solo de uma carreira de quase 40 anos de teatro, leva para o palco histórias de luta e resistência de mulheres de ontem e de hoje, reunidas em uma só voz: uma mulher sentada na história, afirmando que lembrar é resistir, que a vida é uma experiência motivava pela insistência e pela memória. Diferentes lugares, vidas e momentos históricos se mesclam em uma voz que tem urgência em dizer e a coragem de contar.

Inspirada na obra de Eduardo Galeano, a atriz convida a mineira Babaya, parceira em seus projetos do Espaço Cênico, e o jovem dramaturgo Francisco Mallmann para um trabalho autoral e um exercício de resistência.