D. FACE #4 RAPHAEL SAHYOUN NON STOP

CAPA DEST

Ex-sócio fundador da Bob Store volta a toda depois de cinco anos fora do mundo da moda e, assim como a mulher para a qual a nova marca Twenty Four Seven é pensada, ele não para

Por Layse Moraes

Fotos: Divulgação

 

A nova marca de Raphael Sahyoun, a Twenty Four Seven, foi inspirada em mulheres que não param – mulheres non stop, como ele mesmo diz. 24 horas por dia, sete dias por semana, a mulher dos dias de hoje é mais multitarefas do que nunca – e é exatamente com essa mulher que a marca quer conversar. A Twenty Four Seven valoriza tecidos nobres, tons neutros, acabamento primoroso e sempre homenageia mulheres reais, que tenham a ver com a marca, que teve sua primeira coleção lançada em fevereiro deste ano e é focada em atemporalidade e na simplicidade chique – simple n’ chic, como dizem.

Mas isso não é só sobre uma nova empreitada no mundo da moda. Isso é sobre Raphael Sahyoun, ex-sócio fundador da Bob Store, a marca que surgiu em uma pequena casa em Moema, São Paulo, e virou um gigante do setor, sendo vendida para a Inbrands em 2011. Por conta da venda, Raphael se comprometeu a continuar na gestão da marca e a não abrir negócios na área da moda por cinco anos; aguentou só um ano trabalhando na Inbrands, o que, segundo ele, “foi um terror”. Quanto aos cinco anos longe desse universo, foram cumpridos à risca, mas a paixão pela moda falou mais alto e, assim que pôde, Raphael resolveu ouvir seu coração – coração, aliás, é a logo da Twenty Four Seven. Nada mais coerente.

Em entrevista exclusiva para a Drops, Raphael conta sobre como tudo começou, fala sobre as suas expectativas em relação à marca e ao país e garante: a Twenty Four Seven é mais do que um investimento, é uma paixão.

Quando começou a sua relação com a moda?

Nossa, faz tempo… Eu comecei com 20 anos e eu tenho 63. São 43 anos… Eu estava na faculdade de Administração de Empresas e meu irmão, numa dívida, ganhou uma confecção e eu fui trabalhar com ele. Nunca imaginei que eu ia mexer com isso. Foi uma coisa que caiu do céu, porque eu entrei de corpo e alma nisso, me identifiquei e me dei super bem. Mas foi sem querer.

O que você aprendeu estando à frente da Bob Store por tantos anos? Tem algo que queira repetir e algo que queira evitar?

Na verdade eu aprendi depois que saí da Bob Store. Lá na Bob, eu criei uma empresa como eu acho que tem que ser uma empresa. Uma empresa voltada para o comprometimento dos funcionários e isso só é possível quando você tem todo mundo trabalhando com prazer e com vontade. Pra mim, era uma família. Quando eu comecei a trabalhar na Inbrands [compradora da Bob], era um mundo completamente diferente. Na Bob, nada era feito com pressão. Os funcionários tinham responsabilidade, mas não tinha pressão, porque tudo era feito com vontade. As pessoas estavam felizes em trabalhar na empresa. Eu fiquei um ano trabalhando na Inbrands e foi um terror. O que eu posso dizer hoje, com a Twenty Four Seven, é que os funcionários são comprometidos e só trabalha aqui gente que tem uma energia boa, gente do bem, e isso pra mim é o mais importante de tudo.

Como foram esses 5 anos afastado do mercado da moda e por que você decidiu voltar?

Quando eu saí da Inbrands, a empresa que comprou a Bob, eu fiquei um pouco perdido, sem saber o que fazer. Comecei a construir umas casas na Fazenda Boa Vista, um condomínio há uma hora de São Paulo. Eu construí a primeira casa, decorei, porque sempre gostei de decoração, recebi uma proposta e vendi. Fiz uma segunda, decorei também, recebi uma proposta e vendi. E fiz mais duas. Me dei muito bem nessa coisa de decoração e arquitetura, mas faltava algo. Aí eu fiz um coaching com a Ana Raia e ali eu percebi que era porque eu não estava trabalhando com moda. Então, mesmo com o país desse jeito, eu resolvi voltar e foi a melhor coisa que eu fiz porque eu não tenho tempo nem para respirar. Estou muito feliz com os resultados. A gente já vai para 25 lojas! Isso se deve ao trabalho que foi feito lá atrás. Aquilo que você planta, você colhe. E estou colhendo agora todo aquele trabalho que eu fiz durante 16 anos na Bob Store.

A Ana Raia, coaching de vida, aliás, é a estrela da primeira coleção…

Exatamente. Todo catálogo que a gente faz, nas quatro últimas páginas, a gente homenageia uma mulher que tem esse espírito da Twenty Four Seven: uma mulher que realiza, que trabalha, que tem conteúdo. E a primeira foi a Ana Raia, que é a madrinha da marca.

Como surgiu o nome Twenty Four Seven?

Quando você vai fazer uma marca de moda, você tem que saber para quem está fazendo essa roupa. Eu queria fazer uma roupa pra essa mulher moderna, de hoje, que mal tem tempo pra respirar. Ela acorda, leva o filho na escola, vai trabalhar, almoça com as amigas, volta para o trabalho, tem um happy hour, ela viaja. É uma mulher 24 horas por dia antenada. Então, quando eu vi que era sobre essa mulher, eu comecei a rabiscar e veio essa história do 24 horas por dia, sete dias na semana e, em inglês, Twenty Four Seven.

E a logo de coração?

Porque eu estou voltando para o mercado com paixão. Tudo o que eu faço na minha vida é com paixão. Eu sigo sempre meu coração e o coração tem tudo a ver comigo, com tudo o que eu imagino que tem que ser uma pessoa e tem tudo a ver com a marca. E essa paixão de gostar de tudo o que eu faço tem tudo a ver com o coração.

Como é isso de procurar mulheres inspiradoras e reais para fazer frente à marca? Por que isso é importante pra Twenty Four Seven?

A gente não quer simplesmente vender roupa. A gente quer passar para o mercado um pouco de conceito, um pouco do que é essa mulher. A gente procura realmente essas mulheres que tem muito a oferecer. Na segunda edição do catálogo, essa mulher foi a ex-consulesa da França, Alexandra Loras, que tem muito conteúdo e que fez e faz muito pelo que ela acredita. Então a gente procura realmente essas mulheres – e tem muitas! Então a cada edição a gente vai escolher uma.

Como é a produção da marca? Toda a fabricação é feita no Brasil?

Tudo é feito aqui. A gente tem uma preocupação de gerar empregos aqui no Brasil, principalmente nessa fase que a gente está vivendo. Acho que o empresário tem que enxergar isso e dar oportunidade para o nosso mercado. Na minha empresa já tem 70 funcionários e vamos gerar mais de 1000 empregos, diretos e indiretos. Então estou muito feliz de poder proporcionar isso dentro do Brasil.

Como é criar uma marca em um momento de crise?

Eu deixei o mercado todo aberto para mim. Então eu não estou passando as dificuldades que uma marca nova teria ao começar no mercado. É como se eu estivesse pulando uns dois ou três anos. As multimarcas que eu vendia estão todas retornando, elas conhecem o meu trabalho, elas tem a confiança de ter uma marca que não vai massificar, como todas as outras estão massificando… o respeito com os fornecedores que eu sempre tive, então eles me jogaram tapete vermelho. Eu tenho meus franqueados, que estão voltando um a um… Então isso tudo me possibilita um sucesso e um retorno muito maior do que eu estava esperando, mesmo com a crise.

Se você pudesse escolher uma palavra pra definir a Twenty Four Seven, qual seria?
Paixão.

O que você espera para o futuro da Twenty Four Seven?

Na verdade, não é só para a Twenty Four Seven… É para o próprio país. O Brasil é um país muito forte e está acima de tudo o que está acontecendo. Já já a gente vai encontrar o nosso caminho e aí a Twenty Four Seven vai estar preparada para ter uma escala muito maior do que ela tem hoje. Também acredito muito que a gente vai fazer um trabalho social, porque também quero entrar nessa seara, acho que é muito importante. Então estou esperando realizar tudo isso.

No site da marca, a Diretora Criativa da Twenty Four Seven, Sandra de Souza Silva, fala sobre Raphael Sahyoun: “Para quem o conhece, dispensamos apresentações. Para quem teve ou tem oportunidade de trabalhar ao seu lado, uma única certeza: a paixão pela moda é o seu maior amor. A vida para ele só vale a pena quando ele se conecta, cria e compartilha com o mundo o seu melhor. E fazemos o que nós acreditamos movidas também pelo sentimento mais elevado que existe, que é o amor”