D. CHILD #4 A HORA CERTA PARA APRENDER INGLÊS

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A língua inglesa deixou de ser acessório para ser essencial… mas existe a hora certa para começar a aprendê-la?

Por Layse Moraes

Fotos Fábio Pitrez

 

O inglês é a terceira língua mais falada no mundo, ficando atrás apenas do Mandarim e do Espanhol. Apesar de não ocupar o topo da lista, a língua inglesa já é vista quase como obrigatória e os conhecimentos nesse idioma há muito já deixaram de ser vistos como um extra para serem considerados um pré-requisito.

Vivian Saviolli, coordenadora da Educação Infantil da St. James’, primeira escola bilíngue do interior do Paraná, conta que, lá, a hora certa para o inglês é desde o momento em que a criança entra na escola. “A criança entra aqui a partir de 1 ano e meio e desde então ela é inserida em um mundo de imersão no inglês. Na verdade eu não estou ensinando inglês pra essa criança, eu estou ensinando outras coisas, mas inglês é a minha forma de comunicar”, ela explica.

No ensino bilíngue, Vivian explica, o inglês é um bônus, o que vale é o conteúdo. “Eu vou trabalhar questões matemáticas, por exemplo, com a proposta em inglês, e o meu interesse maior não é a língua, mas é o aprendizado de um conteúdo muito mais amplo. Por consequência, a criança aprende a língua assim como ela aprende a língua materna. Por isso que no ensino bilíngue não há idade: quanto mais cedo, melhor – porque a gente sabe que com a janela de aprendizado de 0 aos 6 anos você consegue uma fluência e uma habilidade articulatória de falante nativo. Depois dos 12 anos, essa porta de aprendizado se fecha drasticamente – por isso os adultos têm tanta dificuldade. O aparelho fonológico já está completamente formado e existem alguns sons, algumas nuances, que o adulto não consegue nem perceber e nem reproduzir – e a criança faz isso naturalmente”, esclarece.

Vivian exemplifica: Marcello Marcelino, doutor em linguística, não usa mais a expressão língua estrangeira, mas sim língua adicional. “A língua adicional é usada em um trato social e real do aluno”, ela explica. No ensino bilíngue, o uso dessa língua é real e ela é usada na vivência cotidiana, em condições reais de aprendizagem, dispensando historinhas e simulações, focando sempre em viver o inglês na prática.

Vivian também diz que a ideia do ensino bilíngue não é mesclar inglês com português. Nos quatro primeiros níveis, 75% da carga horária é em inglês – e não de inglês -, ou seja, todo o conteúdo programático da Educação Infantil é vivenciado na língua inglesa. “Há alguns pais que questionam o porquê de não ser 100% da carga horária em inglês… Porque estamos no Brasil. Existem coisas que precisam ser vivenciadas em português, como o resgate de brincadeiras tradicionais e elementos culturais e folclóricos típicos do nosso país”.

O foco do ensino bilíngue é a naturalidade: “o bebê, quando ele aprende a língua materna, é em um meio caótico. Não existe uma ordem cronológica, é tudo ao mesmo tempo. E com dois anos ele fala. Porque isso é inato. Linguagem é algo inato. O cérebro está pronto para aprender linguagem”, reforça Vivian.

Fernanda Pedriali, mãe da Carolina (4 anos), aluna do St. James’ desde o início da vida escolar, conta que já vê a grande diferença por ter colocado a filha em uma escola bilíngue. “A Carolina vem respondendo de uma maneira muito natural e muito legal ao inglês. A gente acompanha o desenvolvimento dela e achamos muito legal a forma como a escola lida com isso de uma forma lúdica. Projetando lá na frente uma carreira global, o inglês é fundamental e ela aprende naturalmente, sem pressão”.

Para Anderson Zanini, pai de Isis (5 anos) e de Arthur (7 anos), também alunos da St. James’, a velocidade com que os filhos aprendem e o fato de o inglês ser um conhecimento que será levado para a vida toda são os pontos mais importantes: “Eu acho que no mundo de hoje a língua inglesa é muito importante para tudo… começar a ter essa base ainda na infância é muito bom. A gente vê como eles aprendem rápido e vão levar isso pra sempre”.

O caso de Luiz Henrique Bazzo, pai do Theodoro (3 anos), é diferente. Luiz já tinha o plano de falar inglês com o filho desde antes de ser pai. Ele começou a falar inglês bem cedo, por volta dos 5 anos de idade, e fez parte do programa de intercâmbio CISV. Com isso, começou a ter experiências internacionais muito cedo, sempre voltadas para a aprendizagem do inglês. Quando o Theodoro nasceu, ele já sabia o que tinha que fazer: comunicar-se em inglês com o filho. “Eu falo em inglês com ele desde quando ele estava na barriga da mãe, mas eu tento mesclar um pouco com o português para não ficar maçante. E eu nunca faço isso como uma cobrança – ele fala se quiser. Todo dia ele me traz uma coisa nova em inglês. A ideia é fazer com que ele se familiarize com as palavras, com as expressões, com os sons da língua inglesa, e que depois ele consiga reproduzir isso aí. Sempre brincamos em português e depois em inglês e ele vai falando. Tudo isso de uma forma lúdica… não quero que ele sinta obrigação de falar inglês, mas que veja como uma diversão, já que sempre incluímos o inglês nas atividades diárias”, conta ele.

De acordo com a coordenadora da Red Balloon Londrina, Clara Roland, que trabalha há 20 anos na empresa, a escola foi a pioneira no Brasil em desenvolver uma metodologia voltada para crianças e adolescentes. Ela complementa: “Apesar de ser unânime a necessidade da segunda língua, em especial o inglês, a hora de iniciar o estudo ainda gera muitas dúvidas. A criança sendo exposta a uma segunda língua terá maior desenvolvimento da memória e da atenção ao longo de sua vida. Nessa fase, os circuitos da compreensão se conectam e quanto mais a criança fica exposta à segunda língua, melhor será sua performance linguística e seu vocabulário na fase adulta. Ter as janelas de aprendizado abertas, aliadas a uma metodologia que se preocupa em balancear as atividades por um período de tempo facilita e muito a retenção desse novo conhecimento. No entanto, temos que levar em consideração também que cada criança tem um jeito de aprender. Por essa razão, abordar todos os tipos de estímulos – como ver, ouvir e fazer – é de extrema importância, já que estímulos diferentes acessam diferentes arquivos de armazenamento de informação no cérebro, fazendo com que as crianças se lembrem mais rapidamente da informação a que foram expostos anteriormente”. A Red Balloon começa a oferecer aulas de inglês a partir dos 3 anos, momento em que as crianças desenvolvem a compreensão e conversação por meio de atividades e histórias relacionadas ao universo infantil, músicas, jogos e brincadeiras.

Apesar das muitas possibilidades em vivenciar o inglês desde cedo, Vivian Saviolli, da St. James’, é categórica: “qualquer coisa é melhor do que nada”. Por isso, independente da fluência ou da possibilidade de investir em educação bilíngue ou cursos extras, os pais podem apresentar o inglês para os filhos por meio de desenhos animados, jogos e aplicativos – a criança é como uma esponja e toda iniciativa é válida.