D. ENTERPRISE #4 CHEGOU A HORA DE MUDAR O FOCO!

CAPA DEST ENTER

Determinar o prazo limite até que o negócio comece a gerar lucro é essencial

 

Por Marcelo Menolli

 

O ponto de partida para um novo empreendimento é o Plano de Negócios – guia para viabilizar ideias e projetos. Existem diversas obras literárias, consultorias e entidades sem fins lucrativos que podem auxiliar o empreendedor na elaboração do Business Plan. Em alguns casos, prometem até mesmo ajudar na criação do Plano de Negócios Vencedor, como se fosse possível!

Mas o que falta na grande maioria dos Planos de Negócios? Prazo de abortagem, ou seja, quando desistir.

É importantíssimo saber quanto recurso será necessário investir para que o projeto saia do campo das ideias e a nova empresa mantenha-se em operação durante o período de maturação e consolidação no mercado. Assim, a organização terá uma chance adequada de sucesso.

No entanto, determinar o prazo limite que o empreendedor está disposto a aguardar até que o negócio comece a gerar lucro e estipular o teto de investimento financeiro a ser alocado no projeto é essencial. A partir do momento que um destes limites são ultrapassados, uma decisão difícil precisa ser tomada. Um trade-off entre coração e razão: é hora escolher entre abortar o projeto ou seguir em frente.

Notoriamente os meios de comunicação e os livros exaltam os empresários bem sucedidos, que conseguiram fortuna em seus negócios. O fato de terem êxito em suas empresas é atribuído a serem empreendedores fortes, com otimismo inabalável, indivíduos que rejeitam o fracasso como opção e que não desistem nunca. Uma frase muito dita no Brasil reforça bem essa visão: “sou brasileiro e não desisto nunca”.

Essa imagem do empreendedor de sucesso faz com que a decisão de abandonar um negócio seja protelada, pois certamente trará um estigma social e pessoal doloroso. Além do fator psicológico, existe o receio de perder os investimentos feitos – os norte-americanos chamam esse medo de The Sunk Cost Fallacy.

The Sunk Cost Fallacy, ou Falácia dos Custos Irrecuperáveis, refere-se a um determinado comportamento do ser humano na tomada decisão. No Brasil, há uma expressão popular que pode traduzir essa conduta: “Não adianta chorar pelo leite derramado”.

Nos negócios, uma Falácia dos Custos Irrecuperáveis pode gerar maiores perdas financeiras. A tendência dos empresários é seguir irracionalmente uma atividade, que não atende suas necessidades e/ou expectativas, por causa do dinheiro e tempo que já gastaram até o momento.

Basear as decisões no desejo de não perder o dinheiro e tempo já investido faz com que os empreendedores relutem em admitir, a si mesmos, que desperdiçaram recursos em um negócio errado. Isso resultará em manter o curso, ou pior, investir recurso adicional em uma atividade comprovadamente ruim.

Encerrar um negócio é uma decisão difícil, mas não é sinal de fracasso, alias, é uma realidade do empreendedor. Antes de optar por fechar as portas, é importante ter a certeza de que foi feito tudo que era possível e dedicado todo esforço necessário para atingir os objetivos traçados.

Tenha certeza que os objetivos comerciais estão ao alcance, analise e entenda profundamente os indicadores de desempenho da empresa, mergulhe de cabeça na redução dos custos e dos gastos fixos, avalie a produtividade, divulgue os produtos/serviços. Trabalhe incansavelmente – dia a dia – por quantas horas forem necessárias, dê o exemplo. Lidere, foque no resultado, deixe o tênis, o golfe, as viagens e as distrações para os concorrentes.

Porém, após estar convicto de ter feito tudo que era possível, faz sentido desistir. Isso não significa abandonar os sonhos e sim conservar recursos que possibilitem uma mudança de direção, pois o fracasso financeiro pessoal pode deixar o empreendedor sem um centavo, sem renda alguma, com bens comprometidos e dívidas impagáveis, o que provavelmente vai persegui-lo por muitos anos.

Desistir no momento certo vai assegurar novas oportunidades e pode evitar perdas muito maiores ou, até mesmo, a ruína do patrimônio pessoal. A escolha é muito difícil, mas é a escolha certa!

Decisão tomada, esqueça a consciência social, coloque a família em primeiro lugar. Abandone o sentimento de que já foi investido muito tempo e dinheiro para sair do negócio. Afaste-se de pensamentos como: “vou esperar mais um pouco”, “uma dívida a mais não faz diferença”, “vai entrar uma venda grande” etc.

Ser capaz de reconhecer quando uma ideia de negócio não deu certo, colocá-la de lado e começar outra coisa é para profissionais corajosos e resilientes. Uma vez que os recursos financeiros estão garantidos e o espírito empreendedor foi mantido, será possível trilhar novos caminhos e sonhar novos sonhos.

Empreender sem comprometer o futuro – este é o fiel da balança.