D. LIFE #4 CUIDADO DESDE A BASE

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Os pés são a sustentação do corpo todo e as palmilhas posturais evitam danos, lesões e dores

Por Layse Moraes

Fotos Fábio Pitrez

 

A podoposturologia é a técnica que estuda a influência dos pés (e da forma de pisar) na postura. Roger Senhorini e Denis Boquetti, da Arcus, que trabalha com fisioterapia e palmilhas posturais, explicam: “a gente fala em palmilha e a pessoa pensa só em pé. Mas são palmilhas posturais”.

As chamadas palmilhas posturais são confeccionadas especificamente para o pé de cada pessoa depois de uma criteriosa avaliação – um exame postural e computadorizado chamado baropodometria (baro = pressão; podo = pé; metria = mensuração). Mas não é só mensurar a distribuição de peso, é de toda a parte postural. Tudo aparece no exame. Com base na avaliação, os próprios fisioterapeutas da Arcus fabricam as palmilhas – e não só para o pé mais afetado, mas para os dois, tendo sempre a simetria como foco – são raros os casos em que somente uma palmilha é usada.

As indicações são muitas: problemas nos pés e tornozelos (pé plano ou cavo, joanete, esporão de calcâneo, pé diabético, tendinite de Aquiles, entorse de repetição – instabilidade); nos joelhos (pernas arqueadas, joelho para dentro, hiperextensão de joelho, inflamações osteomioarticulares, instabilidades e/ou sobrecarga por desequilíbrio muscular, artrose); no quadril (diferença de altura de quadril, rotações de quadril, dor no púbis, escoliose tóraco-lombar com desequilíbrio de quadril); entre outros. Roger exemplifica: “Toda alteração de dedo, ou dedo em garra, ou joanete, é por muita pressão na frente. Nós temos três arcos nos pés, o arco interno, o lateral e o anterior. Qualquer arco que desaba traz problemas posturais”.

Roger explica que cada caso pede um tempo de abordagem. Alguns, como diferença de membro, pedem o uso contínuo. Outros não. “É o mesmo raciocínio do aparelho ortodôntico. O que eu posso mexer? O que eu posso ajustar? Vou mexendo na palmilha e dando os ajustes.”

Assim como o aparelho ortodôntico, o uso da palmilha pede revisões: a primeira revisão com 3 meses, a segunda revisão com 5 meses e depois duas vezes ao ano, para conferir e fazer manutenção, Roger esclarece. As palmilhas podem ser usadas com qualquer tipo de sapato: “Em sapatos femininos, há um pouco essa dificuldade, mas a palmilha deve ser usada o máximo possível, sempre pensando em priorizar o momento em que se está em pé ou andando”, explica Roger.

Ele também reforça que a maioria dos problemas nos pés vem de uma agressão diária, então temos que procurar a causa da agressão: “alteração postural + agressão no pé = inflamação. Muitas vezes isso é tratado com anti-inflamatório, então você trata o final da fila e não a causa”. Pensando nisso, Roger brinca que reequilibrar o corpo por meio da podoposturologia funciona como um alinhamento e balanceamento. “Eu brinco que a palmilha é mais para o quadril do que para os pés… quando há um desequilíbrio no quadril, de altura e de rotação, isso faz com que um pé pise diferente do outro”, ele completa.

Pela prática, Roger conta que de 30 pessoas que o procuram só uma ou duas não tem problemas posturais. “A maioria tem, mas nós não vamos sair fazendo palmilhas para todo mundo. A questão é: isso está trazendo consequências? Se não está, não há porque pensar nas palmilhas”, reforça.

Pensando sempre em prevenção, Roger diz que o ideal seria que toda criança passasse por uma avaliação preventiva antes do estirão do crescimento (em média aos 11 anos), para evitar o surgimento de uma escoliose ou uma alteração postural que depois a acompanhará para o resto da vida. “Então eu estou falando de coluna, não de pé. Por isso são chamadas de palmilhas posturais”, enfatiza ele.

As palmilhas são feitas de EVA importado, de alta densidade e a Arcus logo começará a usar impressora 3d, projetando a palmilha no computador e imprimindo em 3d, fazendo somente as alterações posteriores. São necessários 10 dias de adaptação com a palmilha e de 30 a 45 dias já começam a aparecer melhoras nos objetivos traçados na avaliação. “Nos primeiros três meses, a gente espera, no mínimo, 50 a 60% de melhora nos objetivos. Depois comparamos tudo isso e fazemos ajustes para alcançar ainda mais melhoras. O pico de alcance dos objetivos é de 1 ano a 1 ano e meio, então é aí que a gente vai fazendo a manutenção ou fazendo a retirada da palmilha nos casos em que ela não for mais necessária”, explica Roger.

“Quem mais procura a gente é o pessoal dos 35 anos para frente ou então crianças cujos pais ficam preocupados porque elas pisam errado ou caem muito”, conta Roger. De toda forma, aqui também vale a máxima: é melhor prevenir do que remediar. E como cuidar melhor dos pés e, consequentemente, da postura? Roger responde: “Primeiro passo: força muscular. Todas as articulações dependem de força. Então sempre vai existir uma balança de força muscular x exigência. Alguém que usa mais salto precisa ter mais força muscular. Nós proibimos salto? Não. Mas tem que ter bom senso. A diferença entre o veneno e o remédio é a dose. Há pessoas que até têm algum problema, mas como têm muita força muscular, isso acaba compensando. Com a fisiologia do envelhecimento, perdemos músculo e os problemas podem surgir. O idoso, por exemplo, tem um ciclo que precisa ser quebrado. Perda de força muscular gera desequilíbrio e insegurança para caminhar; se caminhar menos, perde mais força, então fica cada vez mais prejudicado”.

As palmilhas posturais também são muito usadas por atletas de alta performance. Entre os benefícios, a Arcus lista: identificar e corrigir os desequilíbrios posturais e suas influências; reduzir impacto; promover conforto; prolongar o tempo e o aproveitamento da prática esportiva; prevenir e evitar queda de rendimento ou afastamento das atividades.

A médica geriatra Renata Maciulis Dip, paciente da Arcus, conta que há 4 anos sofria de dor no pé, por fascite plantar (inflamação de uma faixa espessa de tecido que liga o osso do calcanhar aos dedos). Somando o uso da palmilha com a fisioterapia para o pé e deixando alguns tipos de sapatos de lado, como sapatilhas, ela afirma: “a dor melhorou 90 % em dois meses. Depois de quatro anos sentindo dor, eu não sabia o que esperar, então estou muito feliz com o resultado”.

Janaína do Nascimento, docente de Educação Física da Unopar e outra paciente da Arcus, conta que foi atleta durante muitos anos e acabou pagando um preço alto por isso: “eu tenho hérnia de disco, escoliose, hiperlordose e uma série de desvios posturais e, fora isso,  também tenho pé plano, o famoso pé chato, então fui apresentada às palmilhas há uns anos. Comecei a usá-las e em uma semana eu já não sentia mais dores! Até meus dentes estavam entortando devido à minha pisada… Então eu fiz a avaliação e a partir do momento em que comecei a usar a palmilha tudo começou a voltar ao lugar, inclusive meus dentes! Eu faço uso contínuo e é só usar o tênis sem palmilha que já começa o desconforto de novo. Eu sou professora universitária, então sempre falo da palmilha para os meus alunos. Não adianta nada você treinar em uma base que não está correta. Se o pé não está correto, ele vai desalinhando todo o resto do corpo. É igual uma construção: se o alicerce não está correto, tudo corre o risco de desabar. Eu sempre indico aos meus alunos e o resultado que eu tenho notado é unânime: todos relatam melhoras. Todo mundo devia fazer uma avaliação baropodométrica – é como um preventivo de saúde, só que na questão postural”.