D.ON – FESTIVAL DA ARTE DEGENERADA

Em tempos em que a arte é questionada com ares de censura, Londrina vai receber um festival necessário: o Festival da Arte Degenerada. Organizado pelo Coletivo Mobiliza, o Festival acontece sábado (11), no Cemitério de Automóveis.

Confira o texto de apresentação do evento e tudo o que vai rolar por lá:

Um cão.
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Quem resiste a um cachorrinho fofinho, afinal? Mas este cão não é assim.
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O cachorro que ilustra o Festival da Arte Degenerada de Londrina, pouco tem de fofo. Ele se equilibra somente sobre as duas patas que possui. Encontrado em algum compêndio científico do século XVII, nosso cão tem o semblante grave, quase solene, dirigido ao espectador. Um olhar que diz: “eu estou aqui, querendo você ou não!”
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E é para isto que surge o Festival da Arte Degenerada de Londrina: demarcar o direito à diversidade, a despeito daqueles que pretendem “queimar em fogueiras” tudo aquilo que diverge da onda higienista que tenta calar este país.
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O título do evento faz alusão à mostra artística organizada pelo regime nazista, que exibiu até 1941 obras que fugiam ao que fosse considerado “perfeito oferecido pela natureza”, como convenientemente se autodenominava a “raça ariana”.
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Tudo o que fugia ao naturalismo e aos cânones greco-romanos deveria ser rechaçado: nada de expressionismo, cubismo ou fauvismo. Artistas como Picasso, Braque, Matisse, entre outros bastiões do Modernismo, foram tachados e exibidos – risos – como exemplos de “arte ruim”.
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Por uma daquelas ironias históricas, a mostra nazista de Arte Degenerada foi um sucesso: mais de dois milhões de visitantes foram registrados por onde passou. Por outra ironia histórica, Hitler foi recusado pela Academia de Belas Artes vienense, ainda em sua juventude, considerado pelos avaliadores um artista antiquado e sem talento.
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O Festival da Arte Degenerada de Londrina não somente presta homenagem àqueles artistas “recusados” pelo nazifascismo, como também traz uma reflexão urgente sobre as censuras contemporâneas que a cultura, a arte e a educação vêm sofrendo por parte do neoconservadorismo de extrema-direita, que joga uma cortina de fumaça, através da polêmica, nos reais problemas do Brasil, do Paraná, de Londrina e região.
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Somos muitos os que não aceitam o recrudescimento do ódio mascarado pelo discurso do falso moralismo. Somos muitos os que recusam as nódoas do retrocesso. A hipocrisia e a intolerância, sim, são aberrações e devem ser combatidas, especialmente pela Arte.
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E se a arte que aceita e acolhe a diversidade é rotulada como degenerada, então somos todos degenerados.
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Coletivo Mobiliza Londrina apresenta:

Serviço: FESTIVAL DA ARTE DEGENERADA
11/11, no Cemitério de Automóveis
Classificação indicativa: Maiores de 18 anos
Valor: R$10,00

16h – abertura da exposição
Exposição artística: Cezar Bueno | Dani Stegmann | Hígor Mejïa | Nenê Jeolas | Peterson Dias
Exposição fotográfica: Ivo Ayres | Fagner Bruno de Souza | Kafo Nogueira | Matheus Pallisser | Valdir Pimenta
16h30 – Exibição de filme: Arquitetura da Destruição (Undergångens arkitektur | 1h59min | Documentário, História | Suécia, 1989).
18h50 – Leitura do Manifesto pela Resistência (Coletivo Mobiliza)
Leitura de poemas políticos
Apresentação artística: Risoflora (Edna Aguiar)
19h30 – Apresentação musical: Open Mic – Hip Hop
20h20 – Apresentação artística: Cena 2 Grazzi Ellas (Mel Campus)
20h40 – Apresentação musical: Fugitivos da Cuíca
21h30 – Apresentação artística: Cena 6 Grazzi Ellas (Mel Campus)
21h50 – Apresentação musical: Don’t Touch Me
22h40 – Apresentação artística: Sereia do Amazonas
23h – Leitura do Manifesto pela Resistência (Coletivo Mobiliza)
Leitura de poemas políticos
23h20 – Apresentação musical: Os Sucuris
00h10 – Apresentação musical: Maracajá
01h – Discotecagem: Fábio Indígena do Axé
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Parceria: Vila Cultural Cemitério de Automóveis
Patrocínio da Vila: PROMIC