D. ON – ELIS & TOM

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Por: Luiz Gustavo Forte

Em 1973, quando percebeu que no ano seguinte Elis Regina completaria 10 anos como contratada da gravadora Philips, seu então presidente, André Midani, perguntou para Elis o que ela queria como presente: um carro importado, uma viagem ao exterior, o que ela quisesse.  A resposta foi surpreendente: “Gravar um disco”. Midani não entendeu, pois Elis gravava discos anualmente. Só que ela completou: “Mas é um disco só com músicas de Tom Jobim e com a participação de Tom Jobim”. Assim se deu início ao projeto do histórico álbum “Elis & Tom”, gravado e lançado em 1974.
Tom, que já morava nos Estados Unido, depois de muita demora para responder, aceitou gravar o disco, mas se recusou a viajar para o Brasil, pois estava envolvido em vários projetos musicais. Naquele tempo, a tecnologia não ajudava e a gravadora não sabia se seria viável a realização do álbum, pois o transporte e a hospedagem de toda a equipe de ténicos e músicos significaria aumento de custos. Após participação fundamental do produtor Aloysio de Oliveira, que tinha boa influência com todos, o projeto foi assinado e a gravadora concordou em levar a equipe para Los Angeles.
Houve momentos de muita tensão, afinal era uma fã gravando um disco com seu ídolo. Elis ainda estava ressentida com Tom, já que ele a havia menosprezado no início de sua carreira, dizendo que ela não teria futuro como cantora devido ao seu sotaque gaúcho. Elis também nunca havia sido uma fã de bossa-nova, sendo seu repertório influenciado pelo jazz, bolero e samba-canção. Somando-se a isso, Tom ainda queria que a gravação fosse com músicos americanos e, Elis, com os que a acompanhavam, sendo eles Helio Delmiro à guitarra, Oscar Castro-Neves ao violão, Luizão Maia o baixo, Paulo Braga à bateria e Chico Batera à percussão, além de Tom e Cesar ao piano e piano elétrico respectivamente. Tom também pretendia que os arranjos fossem feitos por Claus Ogerman ou Dave Grusin, e não por Cesar Camargo Mariano, que além de excelente arranjador, era também marido de Elis à época e já começava a desenvolver a intodução de instrumentos elétricos na bossa-nova, algo inaceitável para Tom. Já sem paciência e querendo acabar com a discussão, Elis, com toda sua segurança, falou: “Tom, o disco se chama Elis e Tom, não Tom e Elis. O dia que você fizer o disco Tom & Elis,  aí sim será de sua maneira”. Tom sorriu e, dentro de sua elegância, cedeu às exigencias da Pimentinha. Assim que começaram as gravações, a tensão e o constragimento ficaram para trás, pois se tratava de duas pessoas que tinham a música acima de tudo. Com isso, foi produzido e concluído este álbum que é reconhecido mundialmente no meio musical e que nos presenteou com a melhor versão de “Águas de Março”, registrada em um magistral vídeo com Tom e Elis.
Mais histórias desse aclamado álbum podem ser encontradas nos livros Solo-Memórias(Cesar Camargo Mariano) e Nada Será Como Antes(Julio Maria).

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