D.ON – FRANK SINATRA

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Por: Luiz Gustavo Forte –

O melhor ainda esta por vir

Em dezembro de 2015, no dia 12, Frank Sinatra completaria 100 anos de vida e, aproximadamente dezessete anos após sua morte, sua voz continua encanta atravessando gerações. Comentar sua qualidade técnica vocal pode parecer repetitivo, mas não foi apenas essa característica que o transformou no melhor cantor de todos os tempos. A escolha de seu repertório, seus arranjadores, seu sentimento ao cantar, ratificam a razão de Sinatra ser único. Entre alguns compositores gravou Cole Porter, os irmãos George e Ira Gershwin, Cy Coleman, Dorothy Fields, Jerome Kern, Johnny Mercer, a dupla Richard Rodgers e Lorenz Hart, além de Tom Jobim, o qual Sinatra gravou suas canções em dois álbuns distintos . Com arranjadores, trabalhou com Billy May, Nelson Riddle, Don Costa, Quincy Jones e também com o brasileiro Eumir Deodato, entre outros.

Sinatra tem algo além de sua técnica. Sua dicção soa tão perfeita que não se perde uma letra sequer em suas interpretações. Hipnotizava sua plateia e seus ouvintes como se estivesse interpretando uma música exclusivamente para cada um de nós. Faz com que mesmo aqueles que não entendam o idioma, compreendam o sentimento e o significado da canção. Sua influência como crooner é tanta que Sinatra talvez seja um dos poucos intérpretes no mundo que ganharam álbuns de tributo, fato comum apenas entre compositores.  Foi pioneiro na gravação de álbuns conceituais na história da música com In the Wee Small Hours(1955), este que continha apenas baladas sombrias e tristes sobre isolamento e saudades, supostamente relacionado à sua separação com Ava Gardner,  com quem teve um turbulento casamento, levando Sinatra a tentar o suicídio e Ava a cometer um aborto.

Frank Sinatra e Ava Gardner

Seu lado artístico ia além da música. No cinema, atuando ao lado de Montgomery Clift,  foi premiado com o Oscar de melhor ator coadjuvante no filme A um Passo da Eternidade, papel que implorou para conquistar, interpretando o soldado Maggio praticamente de graça por estar vivendo um período crítico em sua vida profissional e pessoal. No set de filmagem, Sinatra e Clift bebiam até cair nos intervalos. Sinatra de saudades de Ava Gardner e Clift devido à sua homossexualidade ocultada. Concorreu também ao Oscar de melhor ator em O Homem do Braço de Ouro. Merece destaque o fato de Sinatra supostamente ter inspirado o personagem Johnny Fontane no filme O Poderoso Chefão 1, este um cantor em baixa que conta com a ajuda do mafioso Vito Corleone para conseguir um papel que o faria dar a volta por cima. Na vida real, todos sabem que Sinatra mantinha estreitas relações com vários mafiosos.

A um Passo da Eternidade Frank Sinatra

Frank Sinatra ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante.

Mantinha com o Brasil uma relação de afeto, onde fez maior show de sua carreira, cantando para mais de 150 mil pessoas no estádio do Maracanã, em 1980, confessando após que levaria aquela noite em sua memória pelo resto de sua vida.

Sinatra viveu como quis. Chegou a ser preso por sedução e adultério aos 23 anos de idade, festas em Las Vegas com os companheiros do Rat Pack, conquistou as mulheres mais desejadas em sua época, amigo de políticos americanos, doses diárias de Jack Daniel’s,(foi homenageado após a sua morte com uma edição especial com seu nome rotulado na garrafa do referido bourbon), seu possível filho com Mia Farrow; esses e outros fatos justificam o fato de até hoje publicarem livros com revelações sobre sua vida; afinal, the best is yet to come*.

 

 

*The Best is Yet to Come – composição de Cy Coleman e Carolyn Leight, gravada por Sinatra inicialmente no álbum It Might as Well Be Swing(1964).