O (EN)CANTO DE CAROL BIAZIN

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Com apenas 20 anos, a paranaense desponta pelo seu talento musical e conquista o público e os jurados do The Voice Brasil

Por Layse Moraes
Fotos Alax Matias

O que você queria ser quando crescer? A resposta de Carol Biazin sempre esteve na ponta da língua: cantora. “Não me lembro de nenhuma vez ter respondido outra coisa que não fosse isso”.

A música entrou na vida da Carol ainda na infância. Sua mãe a levava junto para o coral que comandava quando ela ainda era criança de colo. “Foi algo natural, mas que causou um forte impacto”, conta. Nascida em Ivaiporã (PR), Carol cresceu em Campo Mourão e atualmente mora na capital paranaense, onde cursa Música na Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

Ela viu a paixão pela música se desenrolar dentro do ambiente familiar, primeiro com a mãe, depois com o irmão mais velho, que a influenciou a gostar ainda mais do universo musical: “Eu cresci com ele ouvindo Janis Joplin, Bob Dylan, Pink Floyd”.

Foi aos 8 anos de idade que a música entrou de vez na vida de Carol, quando ela começou a aprender violão. Desde então, nunca mais parou. Depois veio o banjo, o teclado, a gaita de boca, o ukulelê e a escaleta – a maioria deles aprendidos como autodidata.

Apesar da grande afinidade com os instrumentos musicais, é a voz de Carol que mais encanta, por seu timbre, sua força e sua potência. Não à toa, ela deixou os técnicos do The Voice Brasil impressionados desde sua primeira apresentação: todas as cadeiras viraram, mas ela escolheu a Ivete Sangalo como técnica.

Carol passou por todas as fases até agora – audições às cegas, tira-teima, batalha dos técnicos, remix e, até o fechamento desta edição, sua próxima apresentação será na semifinal, em que dois candidatos de cada técnico se apresentam, mas apenas um de cada time segue para a grande final.

Independente do resultado, é paixão por música que Carol tem revelado, porque é isso que ela vive e transmite.

 

Com vocês, Carol Biazin:

Como a música entrou na sua vida?

Eu ainda era criança de colo quando minha mãe me levava no coral da igreja que ela mesma comandava. Acredito que isso causou um forte impacto, por mais que tenha sido algo tão natural. Meu irmão mais velho também me influenciou bastante a gostar de música.  Eu cresci com ele ouvindo Janis Joplin, Bob Dylan, Pink Floyd, enquanto todo o resto da família escutava sertanejo. Como ele cuidava de mim enquanto meus pais trabalhavam, nós criamos um laço muito forte.

Qual é a sua primeira lembrança musical?

Foi aos 8 anos, quando eu e minha família fomos à praia e eu sentei no balcão da cozinha e comecei a cantar e batucar a música I’m Yours, do Jazon Mraz. Todos ficaram surpresos, ninguém esperava uma criança de oito anos cantando em inglês, e no fundo nem eu sabia que  fazia aquilo.

No seu canal do youtube, além dos covers, tem algumas músicas próprias. Você compõe com frequência? Como é seu processo de criação?

Às vezes eu começo por uma melodia, depois eu tento encaixar uma letra, e outras vezes eu começo pela letra e crio a melodia em cima. Já aconteceu de estar dormindo, surgir algo que me chama atenção, e ter que levantar e gravar aquilo. Tem músicas que eu crio em 20 minutos, outras que levam meses pra terminar, depende do momento.

Quais são suas maiores influências e inspirações?

Com certeza o mundo pop me atrai muito, cantoras como Jessie J, Beyoncé, Sia e Rihanna estão sempre me perseguindo (risos). No entanto, tem uma parte de mim que é fissurada em música folk, então amo bandas como The Lumineers, Mumford And Sons, The Passengers, Of Monsters and Men…

Quando a música deixou de ser um hobby para virar uma escolha profissional?

Apesar de sempre ter sonhado em ser musicista, chegou uma fase da minha vida em que eu me senti na obrigação de tomar uma decisão sobre a minha carreira. Foi durante o terceiro ano do Ensino Médio que eu comecei a pensar em qual curso prestar. Eu cheguei a fazer o vestibular para psicologia duas vezes, porém eu torcia para não passar, porque eu sabia que eu ia acabar fazendo da música um hobby para sempre, e isso era a última coisa que eu queria. Até que meus pais me deram um empurrão e me apoiaram a fazer aquilo que eu realmente queria. Foi aí que eu resolvi prestar vestibular de música em Curitiba e me mudar pra lá.

O que veio primeiro, a voz ou os instrumentos?

Por mais que eu sempre tenha gostado de cantar, só pensei em aprimorar o canto depois de aprender violão. Eu queria ser independente, produzir minhas próprias músicas…

Você começou com o violão? Como os outros instrumentos foram surgindo?

O violão foi, sim, meu primeiro instrumento, depois eu senti uma vontade imensa de aprender o banjo após ter visto um show da banda Mumford And Sons. Logo veio o teclado, que ganhei de uma tia coruja. Aprendi a gaita de boca com a intenção de cantar e tocar violão e gaita ao mesmo tempo – para mim, isso traz uma simplicidade na música e ao mesmo tempo chama muita atenção. Em seguida, veio o instrumento havaiano Ukulele – como eu queria um instrumento fácil de carregar para cima e para baixo, e que eu poderia utilizar para composições, acabei fazendo bom uso dele. Por último, eu comprei uma escaleta, que lembra um tecladinho, porém é um instrumento de sopro – eu uso bastante para enfeitar um pouquinho as músicas. Uma das minhas maiores vontades é aprender a tocar bateria, nem que seja só para poder dar opinião na gravação de alguma música.

Como você entrou no The Voice?

Existem dois tipos de inscrições para o The Voice, por vídeo e por indicação. Em 2016, mesmo ano em que eu participei do X Factor (Band), eu fui indicada. Viajei para Porto Alegre com a minha família para uma pré-seleção com os produtores do programa, fiquei esperando a resposta e não veio. Neste ano, eu enviei o vídeo e depois recebi o email falando para comparecer de novo à pré-seletiva. Daí me chamaram para ir ao Rio de Janeiro e formalizar a participação. Deu tudo certo.

Quais eram as suas expectativas ao entrar no programa?

Eu achei que nas audições às cegas eu até pudesse virar alguma cadeira, por causa do meu timbre, e daí as quatro viraram! Eu fiquei muito surpresa e minha mãe também ficou muito surpresa. Eu estava muito desencanada, sem a cobrança que eu tive comigo mesma no X Factor – lá foi a primeira vez, e a última, que eu pensei em desistir da música. Eu sou uma artista que tocava em casa, no Youtube. Então, para mim, o X Factor era uma coisa que contava muito na minha carreira e seria um acréscimo gigantesco. Eu nunca estive tão nervosa para cantar como naquela vez… mas foi legal participar e ter levado aquele não. No The Voice tudo foi diferente. Um ano depois, as coisas mudaram muito.

Você pensou em desistir mesmo?

Eu estava inconsolável. Eu queria largar a faculdade, largar a música. Eu voltei para Campo Mourão, fiquei lá uma semana, e senti que precisava voltar para Curitiba. E voltei. Foi quando eu aprendi que ainda vou ouvir muita coisa negativa e muita coisa positiva, e que eu vou ter que saber dosar o meu filtro de aceitação sobre cada comentário. E continuei.

Como você escolheu a música para a sua primeira apresentação?

Era para ter sido Telescope, da Hayden Panettiere, que eu toquei na fase do tira-teima. Daí tive que escolher de última hora a Daddy lessons, da Beyoncé. É uma das músicas que eu mais gosto do álbum Lemonade e é muito a minha cara.

Como foi quando as quatro cadeiras viraram?

Foi uma surpresa! Eu não tenho nem palavras para descrever o que aconteceu. Na hora que o Michel Teló virou a primeira cadeira, eu fiquei bem mais calma. Pensei: “pronto, estou no programa. Agora não preciso mais me preocupar”. Aí a música fluiu e a Ivete virou! Eu sempre quis muito a Ivete! E foi o que aconteceu.

Qual foi o impacto do The Voice na sua vida até agora?

Depois que eu apareci no programa, foi uma loucura… Eu não esperava tanta repercussão! O meu celular travou, de tanta notificação! Um monte de comentário, uma galera me seguindo no Instagram… Eu não estava nem um pouco acostumada com isso. Eu tinha um público de 6 mil pessoas no Youtube, pessoas que me seguiam desde o início, e de repente foi para 20 mil! Eu fiquei muito surpresa.

O The Voice mudou a sua relação com a música?

Eu achava que a minha relação com a música já era forte o suficiente, mas depois que eu entrei no programa e depois que eu me vi na TV cantando, eu pensei: “cara, sou eu ali, me sentindo dona do palco. Eu pertenço a esse lugar!”. Eu nunca me imaginei tão encaixada em um lugar. Foi lindo.

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