200 ANOS DE MARISTA

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Com 62 anos de história, o Colégio Marista de Londrina celebra o bicentenário do Instituto Marista, priorizando o ensino vinculado aos valores humanos

Por Layse Moraes
Fotos Fábio Pitrez

 

Fundado em 2 de janeiro de 1817, em La Valla, no interior da França, por Marcelino Champagnat, o Instituto Marista comemora, 200 anos de história desde sua criação, que contou com o apoio de um grupo de jovens Irmãos que aderiram à ideia. A Instituição gerou muita simpatia e os jovens Irmãos eram muito bem acolhidos pela comunidade como professores, começando a espalhar a missão Marista: formar cidadãos éticos, justos e solidários para a transformação da sociedade por meio de processos educacionais fundamentados nos valores do Evangelho.

Acádio Heck, Diretor Geral do Colégio Marista Londrina, conta que o lema primordial de Marcelino Champagnat é “tornar Jesus Cristo conhecido e amado” e, com esse propósito, as missões tiveram início no final da década de 1830, primeiramente focadas na Oceania e depois se expandindo por toda a Europa.

No Brasil, os primeiros Irmãos chegaram em 1897, abrindo a primeira escola Marista em Congonhas do Campo, Minas Gerais. Em 1900, outro grupo chegou, dessa vez ao Rio Grande do Sul e, mais tarde, em 1903, os Maristas desembarcaram em Belém do Pará. Em Londrina, os irmãos começaram a obra do Colégio Marista em 1955.

Sendo um dos mais antigos colégios particulares de Londrina, situado na movimentada Av. Maringá, era rodeado por pés de café no início de sua história, tendo como marca a relação humana que é construída em seus espaços. A característica forte do colégio é esse mesmo vínculo afetivo, tanto no que diz respeito a alunos como também a ex-alunos: “Ex-aluno sim, ex-marista nunca”, Acádio brinca. “É uma relação de amizade e de família, que se cultiva aqui”, ele reforça.

Há no Colégio Marista uma espiritualidade muito própria, que é do carisma Marista. Os professores são de diferentes credos religiosos, assim como os alunos: “O importante desse processo é que cada criança e cada cidadão conheçam os fundamentos da sua religião e possam conviver, de forma harmoniosa, com aquele que professa outra fé, outro credo religioso, conhecendo os fundamentos dessas outras religiões. A partir do momento que conhecemos tudo isso, nós nos relacionamos melhor e respeitamos a pessoa do outro. Essa diversidade de credos religiosos é muito natural e uma boa convivência entre as diferenças é fundamental. Queremos evangelizar não somente com palavras, mas com atitudes, sendo exemplo”, diz Acádio.

As pressões por altas performances em educação são um desafio ao ensino com humanidade e, para o Colégio Marista, a receita está em não focar apenas no academicismo puro, podendo-se trabalhar a dimensão humana ao mesmo tempo em que se mantém uma escola exigente, que desafia o aluno a aprender cada vez mais. O Colégio defende que a competição é muito salutar, desde que aconteça do aluno para consigo mesmo: “amanhã eu devo ser melhor do que hoje, com dedicação e superação”, Acádio exemplifica. Essas soluções são somadas com importantes parcerias entre família e escola, com projetos e iniciativas que agregam ao ensino e à vida prática.

As propostas fortalecedoras são aplicadas de forma integral, com estratégias de interação e convívio social para os alunos. As atividades extracurriculares diversas, como o Marista Idiomas, Escola de Esportes, a Pastoral da Juventude, o Judô, Escola de Música, Escola de Dança e Patinação são fortalecedoras no processo de formação integral de cada aluno.

O esporte sempre foi uma das tônicas do colégio e a Olimpíada Marista é a marca mais expressiva desse incentivo, que envolve, também, cultura, amizade e solidariedade. Com a Gincana Champagnat, por exemplo, que envolve toda a comunidade interna e externa por meio de jogos, momentos culturais e arrecadação de donativos, o Colégio cria uma oportunidade para que a comunidade educacional viva de forma social e solidária, transcendendo os muros da escola.

A Rede Marista de Colégios (RMC) conta com um material didático exclusivo para o Ensino Médio, em parceria com a FTD, editora fundada no Brasil, em 1902, pelos Irmãos Maristas. “O Sistema Marista de Educação está sendo implementado, de forma gradativa, em todos os Colégios Maristas do Brasil e, em Londrina, concluiremos essa implementação no ano de 2018”, afirma Acádio.

Da Educação Infantil ao Ensino Médio: o aluno como protagonista da própria história

A Educação Infantil do Marista é inspirada em Reggio Emilia, uma proposta pedagógica que surge em 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Tendo como marco o poema “As cem linguagens da criança”, de Loris Malaguzzi, a abordagem de Reggio Emilia concebe a criança como sujeito potente, o que implica em um aprendizado ligado no modo de se relacionar consigo mesmo e com o outro.

Há mais de 10 anos, uma equipe do Marista estudou a fundo a infância e se aproximou de Reggio Emilia, tendo a oportunidade de ir para a Itália conhecer a proposta, que repercute no mundo inteiro como referência de educação para a primeira infância.

Há dois anos, Leliane Nogueira, Coordenadora Psicopedagógica da Educação Infantil do Colégio Marista de Londrina, também foi conhecer de perto o processo de aprendizagem em Reggio Emilia, onde, além de observar as crianças, observou a postura do professor enquanto mediador, que ajuda e colabora para que a criança se desenvolva em múltiplas linguagens: “Nós queremos que a criança seja protagonista”, ela explica.

Na mesa de luz, as crianças exploram novas linguagens

Leliane destaca que o que mais chama atenção em Reggio Emilia, felizmente adaptados para a nossa realidade, foram os espaços de aprendizagem: “eles desencadeiam a aprendizagem, então é preciso planejar o espaço onde a criança vai vivenciar e estabelecer contato consigo mesma, com os pares, com o professor e com o próprio espaço, então cada objeto desse ambiente faz a diferença”. Assim, as salas são planejadas para que as crianças tenham alcance a tudo, para que cada uma estabeleça relações para criar, explorar e investigar.

“Nosso currículo é dividido em duas partes, a parte cheia, que é tudo aquilo que é planejado para que aconteça naquela série, com habilidades e competências que são importantes para cada faixa de aprendizado, mas também temos a parte vazia. Se nós queremos formar uma criança que fala, questiona, investiga, busca, pesquisa e fechamos totalmente o nosso currículo, acabamos não dando vez nem voz para essa criança. Por isso a importância da parte vazia, que é aquilo que emerge da turma, uma situação-problema, uma curiosidade, que desperte o interesse deles. Assim, eles iniciam todo um processo de investigação, elaboram perguntas, levantam hipóteses, passam por diversas experimentações, buscam soluções. Mesmo uma criança muito pequena é capaz de produzir ideias e questionar – é nessa dinâmica que realizamos nossos trabalhos”, diz Leliane.

Nessa linha, seguem o Ensino Fundamental I e II, com o desenvolvimento das crianças e as demandas dos adolescentes que surgem e precisam ser trabalhadas com enfoque diferenciado, respeitando as necessidades de expressão, de escolhas, visando à preparação do projeto de vida que cada um tem e precisa descobrir. Além das aulas do currículo, os alunos, a partir do Ensino Fundamental, encontram condições de aprofundar os estudos, desenvolvendo e descobrindo melhor os seus potenciais acadêmicos e os talentos artísticos ou pessoais. A partir do 9º ano do Ensino Fundamental II até o Ensino Médio, existe a preocupação com o encaminhamento vocacional do aluno, visando ao autoconhecimento e à descoberta de si, para que seja possível delinear a carreira mais acertada de acordo com o perfil de cada um.

 

Nesses 200 anos do Instituto Marista, o Colégio Marista Londrina celebra o bicentenário de iniciativas capazes de transformar o ensino, com a oportunidade de formar mais do que excelentes alunos: “Acima de tudo, nosso desejo é que os alunos Maristas sejam pessoas felizes, cidadãos realizados, solidários e protagonistas de suas próprias histórias de vida, capazes de transformar a sociedade. Essa é a causa que começou com Marcelino Champagnat e que temos o privilégio de multiplicar”, conclui Acádio, diretor geral do Colégio.