D.LIFE – MUITO ALÉM DO SORRISO PERFEITO

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Dentes bonitos são o maior dos desejos quando se fala em odontologia estética, mas o cuidado com o sorriso começa bem antes de uma boa aparência

Por Layse Moraes

Fotos Fábio Pitrez

 

Um dos precursores da odontologia estética tem uma história curiosa. O Dr. Charles L. Pincus liderou o departamento de maquiagem dos estúdios de cinema da Twentieth Century Fox e da Warner Brothers. Com o surgimento dos filmes falados, que concentrava a câmera nas bocas dos atores com muito mais detalhe do que nos filmes mudos, os executivos de maquiagem precisaram melhorar a aparência fotográfica da boca dos atores. Então, para que os atores pudessem interpretar o Drácula ou o Frankstein, por exemplo, eram necessárias restaurações estéticas que não atrapalhassem a qualidade da fala ou a atuação, então Charles Pincus começou o trabalho que definiria os caminhos da sua vida profissional e inauguraria o campo da odontologia estética.

Foi o Dr. Pincus que reconheceu como os dentes interpretam um papel importante na personalidade da boca e também fez contribuições em relação ao reflexo da luz, da textura da superfície e do contorno do dente. Foi ele também o precursor das facetas, hoje amplamente desejadas por quem almeja o sorriso mais harmonioso possível: “A Odontologia Estética é, na realidade, a quarta dimensão, em adição dos fatores biológicos, fisiológicos, mecânicos – dos quais todos precisam ser obtidos para o sucesso do resultado”, afirma Charles Pincus em seu texto “O desenvolvimento da estética dental na indústria do cinema”.

Saindo do universo cinematográfico e voltando a Londrina, quem me contou essa história e me apresentou o livro “A estética em odontologia”, de onde as informações do início desta matéria foram retiradas, foi o dentista Wilson Kobayashi. Para entender mais sobre o mundo da odontologia estética, fomos visitar o consultório dele.

Kobayashi, que é uma referência na especialidade, conta que, no final de 1980, começou a se falar muito sobre estética odontológica. Começando com a ortodontia, passando pela parte de periodontia, com cirurgia de gengivas para obtenção de um resultado dentofacial mais bonito, com mais proporção. Ele explica que odontologia estética na verdade não é bem uma especialidade, já que envolve várias áreas da odontologia, incluindo a prótese e a dentística, mas uma coisa é fato: “os pacientes estão buscando a odontologia estética cada vez mais”, ele conta.

 

 

A busca por dentes perfeitos, no entanto, também está muito vinculada a um padrão irreal de beleza e até mesmo a um modismo: “Pessoas com dentes perfeitos vêm buscar a estética em busca de um padrão de beleza que é vendido na televisão, dos dentes brancos, que são muito vinculados ao sucesso, então é um pouco modismo também”. Mas isso não vem só dos tempos atuais… Wilson Kobayashi explica que a estética é uma busca do paciente há muito tempo… “No início da profissão, tive contato com uma paciente que tinha dentes tortos, pediu para um dentista arrancá-los e colocar uma prótese com os dentes retos”, exemplifica. “Hoje, a gente consegue alinhar a função, que é a parte mastigatória, com a estética. Mas em primeiro lugar vem sempre a funcionalidade do órgão mastigador”, complementa ele.

Parte da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética desde sua fundação, em 1994, Wilson conta que as facetas cerâmicas são a tendência da vez: “Elas surgiram na década de 1950, através do Dr. Charles Pincus, que foi chamado para fazer os dentes do Drácula, desenvolveu técnicas e teve a ideia de fazer facetas cerâmicas para colar nos dentes”.

Dr. Wilson Kobayashi estuda as facetas há quase 30 anos e conta que muitos pacientes já chegam a seu consultório pedindo por elas: “O que as pessoas mais procuram na odontologia atual são as facetas e as lentes de contato (facetas mais finas).” Apesar dos pedidos, ele reforça: “Eu tenho que gostar do tratamento que eu estou oferecendo, então eu avalio bem cada caso”.

Ele também explica que tudo o que se cola no dente é faceta e, para serem colocadas, há a necessidade desgastar o dente. Há pacientes que só fazem em cima, porque são os que mais mostram. A regra é: cada caso é um caso e merece um estudo específico.

Outro ponto que Wilson deixa claro é que dente torto não se corrige com faceta. “Para dente torto é ortodontia. Isso é um erro comum: as pessoas vêm com dentes ruins para fazer as facetas, mas facetas são para dentes que já estão bons e saudáveis”, explica ele.

Sobre manutenção, uma vez coladas, as facetas, podem durar 10 anos, 15 anos ou até mais. Sobre a sensibilidade ou dor que podem surgir, ele ressalta: “Depende do grau de desgaste que você faz no dente. Se o desgaste for só no esmalte, não vai ter sensibilidade nenhuma. Mas se você chegar na dentina, pode ter sensibilidade e daí há vários fatores que podem causar dor. Mas o normal é que isso dure apenas um dia ou dois e depois é vida normal”.

Tecnologia + arte

Kobayashi sempre está de olho no que há de mais moderno na odontologia e segue as tendências sem esquecer a parte artística da profissão: “Eu gosto de uma clínica multiespecialidades e do lado mais artístico da profissão”, ele conta.

É no olhar atento para a novidade que ele adquiriu pioneiramente, lá em 2013, uma impressora 3D. “As impressoras 3D surgiram na década de 1950, na indústria aeronáutica, para peças de avião. Acredito que o caminho, daqui pra frente, é o dentista ter isso no consultório.”

A impressora faz facetas, coroas, próteses fixas de até 3 dentes, além de intermediários de implante – tudo em apenas um dia. O trabalho minucioso e manual do dentista, no entanto, não pode ser descartado: “Eu sempre tive a consciência de que a máquina não faz tudo. No mesmo momento em que comprei a máquina, comprei um forno de cerâmica, porque a tecnologia não elimina o trabalho manual… daí eu consigo fazer exatamente da forma como eu gosto”, conta ele, que corrige as impressões da impressora no forno – tudo isso na própria clínica, com redução do tempo até o resultado final do paciente.

 

Cuidados básicos ainda são o mais importante

Kobayashi conta que a estética dental é uma preocupação muito brasileira… Depois do clareamento dental, as facetas chegaram com tudo e com um ponto positivo: enquanto o clareamento precisa ser refeito a cada dois anos, elas não.

No entanto, antes de pensar em tudo isso, é preciso voltar ao básico: “Primeiro a gente precisa tratar dos problemas, para depois pensar nas facetas”, Kobayashi é muito claro. Nesse caso, ele diz, vale a máxima: a prevenção é, ainda, o melhor dos tratamentos para ter dentes saudáveis.

Legendas:

Apesar do foco estético, Kobayashi pontua que não podemos esquecer que a odontologia é da área da saúde, então há uma preocupação com a esterilização. A clínica conta com a assessoria de uma Enfermeira para garantir a esterilização perfeita

A impressora 3D esculpe um bloco de cerâmica no formato do dente depois de um escaneamento 3D da boca do paciente

“Fomos contratados para fazer os dentes do Frankstein, do Drácula e do Lobisomem, e com o grotesco aprendemos o que não fazer pelo belo. Deste campo de experiências do cinema surgiram muitos dos princípios que tanto contribuem aos belos resultados obtidos hoje por dentistas estéticos competentes”, disse Dr. Pincus

“O que é mais importante num dente? É a forma. Se a forma estiver errada, tudo fica prejudicado”, explica Dr. Wilson Kobayashi