D.LIFE – YOGA NO PARQUE

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Yoga no parque

O Coletivo Ganesha leva o Yoga para a cidade, democratizando a prática e convidando você a se apropriar dos espaços públicos de Londrina

Por Layse Moraes

Fotos Fábio Pitrez

 

A história do Yoga no Parque surgiu quase por acaso… Em 2013, a professora de Yoga Amanda Petri Martins queria praticar diariamente, então começou a dar aulas durante o pôr do sol, lá no Aterro do Lago Igapó. Então, ela conta, “o pessoal que saía da UEL começou a ver a prática acontecendo e quis participar. Nessa época, eu ainda trabalhava com jornalismo e o Yoga foi abrindo portas a partir daí”. Em 2015, Amanda se mudou para o Ceará e continuou com as práticas a céu aberto por lá, dessa vez na praia. De volta a Londrina em 2016, ela prosseguiu com o projeto Yoga no Parque, que voltou com tudo para as terras londrinenses. Foi por aí que Isadora Rara entrou na história – ela e o Álvaro Alvarenga, seu marido, são os primeiros instrutores a abraçarem o projeto junto com a Amanda – nascia aí o Coletivo Ganesha.

Apesar de ainda contarem com poucos membros, eles fazem questão de dizer, o Coletivo está aberto para instrutores de Yoga e outras pessoas que queiram oferecer práticas holísticas, como meditação, reiki, aromaterapia e até mesmo grupos de estudos: “É uma forma de passar informação ao público. Fica aberto o convite para quem quiser passar o conhecimento adiante”.

Contando com cada vez mais alunos, as práticas do Yoga no Parque acontecem em espaços públicos de Londrina, como o Aterro do Lago Igapó, o Zerão e o Campo da sede da Guarda Municipal. O valor? Uma taxa simbólica de R$ 5 por aula. “Algumas pessoas têm a visão de que a gente banalizou o Yoga com o Yoga no Parque, mas em momento nenhum a gente quis desvalorizar ou transformar isso em uma coisa fútil. Na verdade é sobre facilitar o acesso, e muitas pessoas que começaram no parque agora estão nos estúdios, por exemplo”, explicam eles.

A ideia, a longo prazo, é fortalecer o Coletivo Ganesha e abrir uma OSCIP (Organização da sociedade civil de interesse público), criando um espaço voltado para a prática e para o estudo. “A prática do Yoga é um instrumento de transformação e o Yoga é a técnica para isso”, ressalta Álvaro.

Amanda conta que muitas pessoas que nem imaginavam o que era o Yoga ou nunca tinham pensado em praticar hoje são adeptas. “O Yoga é uma ferramenta de transformação, de autotransformação e de transformação social e o que a gente quer é tornar isso acessível em espaços públicos, de forma que se ocupe também a cidade”, complementa Isadora.

Tendência mundial

Amanda trouxe a ideia do Yoga no Parque de Curitiba, onde morou por um tempo e onde são oferecidas práticas de segunda a segunda, no Parque Barigui. Mas a prática de Yoga em espaços públicos não é uma exclusividade da capital paranaense, muito pelo contrário: é uma tendência mundial que já ganha espaço em diversas cidades do mundo, como Nova Iorque, por exemplo.

O objetivo maior dessa prática aberta é introduzir o Yoga para o maior número de pessoas: “Viemos sempre com a ideia de apresentar o Yoga e também desmistificar e deselitizar”, explicam.

Isadora conta que, antes de se tornar instrutora, tinha vergonha de ir a um estúdio de Yoga porque achava que ia ser julgada por não ser tão alongada. Ela só procurou o Yoga quando ficou grávida e queria encontrar um exercício que a ajudasse a se conectar com o bebê. “Eu não imaginava que era isso! A gente tem uma pegada forte de trabalhar a meditação e não só a parte física. O Yoga trabalha o nosso corpo para que se consiga ter um corpo forte e assim trabalhar a mente”, ela explica. “Não é academia, você não tem que ser forte, não tem que fazer posturas acrobáticas como se vê no Instagram e, sim, você pode praticar”, reforça Amanda.

Mesmo as pessoas que já praticam o Yoga em estúdio muitas vezes têm interesse em também participar do Yoga no Parque, por ser uma interação diferente, mais próxima da natureza – “pé na terra e cabeça no céu”, como diz Isadora. “A natureza é um catalisador de energia. Então Yoga e natureza realmente te limpam e reenergizam”, Amanda reforça.

Além disso, elas explicam, a prática do Yoga no parque faz com que as pessoas convivam entre si, mesmo em um grupo diverso, e pratiquem ao lado de outras pessoas, de idades e dificuldades diferentes. E mais: praticar a céu aberto é uma forma de resistência: “Ocupar o espaço público é muito importante porque é uma maneira de você sentir a sua cidade e conhecer outras pessoas”, completa Amanda. Isadora também chama atenção para o fato de que não é só o Yoga que faz isso: “tem o pessoal do treino funcional, do Rugby, do Tai chi chuan”. “Quando eu comecei, em 2013, não havia ninguém no Aterro. Hoje já têm várias outras pessoas, ocupando de diversas formas”, conta Amanda.

Yoga para todos

“A gente tem que fazer uma prática que é para todo mundo, da criança ao idoso”, Amanda e Isadora explicam. A Amanda trabalha principalmente com a linha Integrativa, que é um Yoga mais moderno e aborda todas as modalidades, então ela relaxa, alinha e trabalha com mantras. A Isadora é formada em Hatha Yoga, o tipo mais popular e mais praticado, mas acaba seguindo também a Integrativa, assim como Álvaro.

Sobre o impacto das práticas na vida das pessoas, Amanda garante que já dá para notar mudanças logo no começo: “As minhas alunas chegam aqui falando que não conseguem nem sentar e em duas aulas você já vê uma evolução. Na questão física, você vê logo: depois de 15 dias, o corpo começa a funcionar de uma forma melhor, do jeito que tem que funcionar. Na questão subjetiva já demora um pouco mais, uns dois meses. No começo, o Yoga traz muito bem-estar, mas depois começa a mexer com seus egos, suas fragilidades. Depois vira hábito e, como a Mestra de Yoga Laura Packer diz, você abriu uma porta que nunca mais vai se fechar e o que ficou pra trás vira um abismo”.

“O Yoga é uma filosofia de vida, é muito profundo, não é só corpo. A sabedoria está dentro da gente, mas estamos tão perturbados com uma mente agitada que não chegamos lá”, explica Amanda. “Não é sobre ficar em forma, é sobre sentir o corpo em harmonia e estar de peito mais aberto, mais fortalecido”, reforça Isadora.

Sobre os benefícios do Yoga, eles explicam que a prática trabalha muito a questão hormonal: “Os chakras estão relacionados às glândulas do corpo e também a todos os sistemas, fortalecendo o corpo de dentro pra fora. Às vezes vêm pessoas bem fortes, até mesmo lutadores de MMA, que não conseguem fazer várias coisas, porque o Yoga não é superficial, ele é de dentro pra fora”. “O Yoga é uma lótus que desabrocha dentro de você”, Amanda compara. “Quando a gente se curva para frente, estamos nos curvando perante a vida, entendendo que a vida é muito maior que eu e o meu desejo. Quando a gente se curva, a gente aceita. Então o Yoga vai trazendo toda essa sabedoria. As posturas vão mostrando isso na prática… a respiração também ajuda muito. Quanto mais fundo você respira, mais você acessa a sua profundidade. Tem gente que sai da aula chorando…”, Amanda conta.

“O corpo do Yoga está crescendo muito aqui em Londrina e esperamos mesmo que todo mundo possa fazer aula de Yoga, porque é realmente muito milagroso. Tem muita gente tomando medicamento, antidepressivo, ansiolítico, e às vezes é preciso dar uma parada, respirar”, Amanda conclui. No que depender do Coletivo Ganesha, mais e mais pessoas vão colocar o Yoga na sua rotina, independente do lugar: “Faça Yoga onde você quiser! O importante é praticar”.

 

Serviço:

Yoga no Parque

2ª – 18h30, no Zerão (antigo parquinho)

4ª e 6ª – 18h30, no Aterro do Lago Igapó

Domingo – 10h, no Campo da sede da Guarda Municipal

facebook.com/yoganoparquelondrina