BRASILIDADE CONTEMPORÂNEA

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O escritório de arquitetura Andrade Bordin se destaca pela identidade sólida e pela valorização da arte brasileira

Por Layse Moraes
Fotos Fábio Pitrez

 

Andrade Bordin Arquitetura passou por uma revitalização recente e, com isso, reafirmou seu caminho e suas preferências: “Assim que houve a oportunidade de adquirir peças que valorizam a cultura brasileira, nós fizemos isso”, afirmam Eduardo e Marcos, que estão à frente da empreitada. Com base em Arapongas, o escritório também tem sede em Londrina, mas assina projetos pelo Brasil todo.

O escritório mantém um clima rústico-chique e transcende a beleza por meio do significado de cada coisa, escolhida a dedo para figurar no espaço. Eles usaram muita coisa da fazenda da família – os tijolos, por exemplo, são de um antigo terreiro de café e o tronco e até mesmo a samambaia também vieram de lá – opção que além de sustentável é também afetiva.

As duas poltronas da sala de estar eram do escritório da fazenda da família

O afeto, aliás, guia toda a decoração, com destaque para o quadro que foi pintado por Elisa, mãe de Marcos: “Ele possui um valor afetivo muito grande… é uma lembrança para nós”, contam eles.

O escritório chama a atenção por sua singularidade. No espaço, destacam-se as portas de bambu, criação deles, e também as árvores em harmonia com o ambiente interno. Eles também dão muito valor aos elementos naturais: “A ideia era fazer um ambiente com elementos naturais e aconchegantes, então usamos madeira, tijolo e concreto. Todo mundo se encanta com o escritório e quer vê-lo inteiro”, eles confessam. Além disso, os muitos livros expostos no espaço, a maioria deles garimpada em viagens, faz parte do acervo do escritório e é apenas uma parcela da grande bagagem que eles trazem – os livros são a representação física do que a experiência de viajar traz e eles se inspiram no que veem em cada canto do mundo para agregar mais e mais a cada projeto.

Andrade Bordin Arquitetura tem apenas três anos de vida, mas, apesar do pouco tempo, se destaca pelo estilo sólido e pela valorização da brasilidade. Com foco em arte popular brasileira, Eduardo e Marcos ostentam obras de artistas como João Carlos Capela, Mestre Luiz Antônio, Dona Irinéia, Neguinha, Cida e Marcos de Sertânia… são peças catalogadas, que estão expostas no Brasil todo e também em Paris, Nova Iorque, Milão, México. “Esses artistas retratam a cultura do povo brasileiro, com ênfase para a cultura do povo nordestino, focando no sofrimento, no caos, mas também na simplicidade”, eles explicam. “As peças de arte popular têm uma energia única, porque foram feitas à mão e transmitem uma energia muito boa”, complementam.

Eles contam que a Sil, por exemplo, leva, em média, três meses para fazer uma obra. “Ela consegue retratar o sentimento das pessoas no semblante conforme a história que está contando. A jaqueira aparece em quase todas as suas peças, porque a infância dela foi marcada pelas vivências embaixo de uma. As obras de Sil, apesar de terem essa veia pessoal, ganham características universais porque contam a história de um povo” – é dela a peça preferida de Eduardo, ostentada com destaque no escritório em uma mesa cujos pés são feitos com um tronco de árvore da fazenda familiar.

A peça preferida de Eduardo, da Sil, ostentada com destaque no escritório em uma mesa cujos pés são feitos com um tronco de árvore da fazenda familiar

A Andrade Bordin Arquitetura traz para seus projetos a brasilidade contemporânea. Dando atenção especial a peças feitas à mão, assinadas e catalogadas, o escritório de arquitetura tem conquistado cada vez mais os clientes pela valorização da arte popular brasileira, inclusive com projetos no Nordeste do Brasil.

Com um acervo cheio de peças de arte brasileira, Andrade Bordin Arquitetura tem obras de:

Mestra Cida Lima, de Pernambuco, não tenta dar um realismo para a peça e trabalha mais com o abstrato

Mestre Luiz Antônio, de Pernambuco, retrata muito manifestações de fé do povo nordestino

Dona Irinéia, de Alagoas, é considerada patrimônio vivo brasileiro e sua obra tem uma característica mais primitiva

Mestre Nuca, de Pernambuco, tem como sua marca os leões de juba encaracolada

Marcos de Sertânia, de Pernambuco, tem obras que possuem como característica o sofrimento do povo nordestino. Os cachorros remetem à cadela baleia, ícone do clássico da literatura brasileira “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Magro e com o rabo pra baixo, o cachorro tem um ar triste, que remete a dificuldade de todo um povo

João das Alagoas, de Alagoas, foca bastante no boi bumbá e retrata a vida do povo nordestino na saia do boi

Os dois cachorros da caatinga, um macho e uma fêmea, feitos para ficarem lado a lado, são de Oziel Dias Coutinho, da Paraíba. Diferentes dos cachorros de Marcos de Sertânia, eles têm um semblante mais feliz, mas ainda assim são magros, remetendo também à mesma realidade nordestina

Sil, de Alagoas, leva, em média, três meses para fazer uma obra. “Ela consegue retratar o sentimento das pessoas no semblante conforme a história que está contando. A jaqueira aparece em quase todas as suas peças, porque a infância dela foi marcada pelas vivências embaixo de uma”, explicam eles

Sala de reuniões da Andrade Bordin Arquitetura