REVIVALISMO: VINTAGE OU RETRÔ?

Design sem nome

O resgate de princípios e tradições de períodos passados com o intuito de enfrentar desafios do presente são caraterísticas de um fenômeno sociocultural denominado de revivalismo

Por Edson Faria

Tendência na decoração desde os anos 2000, esse fenômeno é reflexo das incertezas econômicas, tensões sociais e receios em relação ao futuro que marcaram esse início de século. Nesse contexto, os objetos vintages e retrôs surgiram como uma resposta direta ao consumo pelo provisório e pela impessoalidade dos espaços modernos. Trata-se de um sentimento de nostalgia pelos tempos de outrora que refletiu intensamente na percepção das pessoas sobre seus espaços e sobre os elementos que os compõem. Mas como saber se um artigo é vintage ou retro? A resposta é simples: vintage é o resgate de algo usado, enquanto o retrô é uma releitura do vintage.

Vintage – Fonte: Juliana Vasconcellos | Foto: Filippo Bamberghi

Vintage são objetos originais, sem adaptação ou alterações, encontrados em garimpos e antiquários ou herdados e repassados entre as gerações. Tratam-se de peças com idade entre 20 e 100 anos que remetem a épocas em que os móveis eram fabricados para resistir ao tempo. Optar pelo uso daquela mesa herdada da sua avó, além de agregar qualidade a sua sala, imprime exclusividade e personalidade ao seu projeto. Esses itens emprestam delicadeza e romantismo a qualquer espaço. No Brasil, optar pelo mobiliário vintage traz ainda a vantagem de contar com materiais que já não estão disponíveis no mercado, como o jacarandá, o cedro ou a peroba.

Retrô – Fonte: Estúdio Penha | Foto: Casa Vogue

Por outro lado, as peças retrôs são relançamentos de algo que já foi visto em outro momento. Tratam-se de elementos novos mas com aparência de antigos, geralmente, remetendo a períodos que vão de 1950 a 1980. Enquanto o vintage é romântico e tradicional, os objetos retros são impactantes, descontraídos e leves. Fazem uso de cores como laranja, vermelho, verde e azul. O mobiliário que remete a esses períodos apresentam linhas simples, pés pontiagudos e formas alongadas.

Mas esses estilos não estão restritos ao mobiliário. Pode-se obter o aroma de outros tempos por meio de complementos e acessórios como revestimentos, papeis de parede, almofadas, elementos decorativos ou até mesmo por aquele jogo de porcelana incompleto que era da sua avó.

Retrô – Fonte: Guilherme Torres |Foto: MCA Estúdio

Vintage – Fonte: Cláudia Veloso | Foto: Julia Rodrigues

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vestir a casa fazendo uso do revivalismo é um desafio, mas pode ser muito prazeroso. Não há regras para o uso de peças antigas, sejam elas originais ou relançamentos. O ideal é personalizar o espaço de acordo com seu gosto, necessidade, interesse e, claro, bom senso. O ponto de partida deve ser a busca pela harmonia e equilíbrio através de elementos que dialoguem e se complementem pelo contraste. É fazer uso de outras histórias para contar a sua própria história. O resultado dessa viagem pelo tempo certamente será um projeto aconchegante e contemporâneo.