PONTO FOCAL NA DECORAÇÃO: VOCÊ SABE O QUE É?

ponto focal

Ponto focal é o centro de interesse da composição e uma excelente forma de iniciar o estudo de qualquer ambiente

por Edson Faria

Fundamentada na premissa da criatividade e do bom gosto, a decoração pode ser interpretada, a priori, como uma atividade que reivindica pouco conhecimento para ser desempenhada, visto que, para muitos, ela consiste essencialmente na exaltação do belo. No entanto, tal atividade não se restringe a ornamentações e, tentar exercê-la sem a orientação de alguns princípios básicos de composição pode resultar em um ambiente desorganizado, pouco harmonioso e desinteressante.

Os princípios do design englobam um conjunto de fundamentos utilizados pelos profissionais na elaboração de espaços coerentes e estimulantes, pois o conceito de conforto, inerente a uma boa decor, não está restrito à questões físicas, se estendendo aos efeitos psicológicos que o conjunto pode proporcionar. Harmonia, equilíbrio, ritmo e ponto focal são alguns dos parâmetros que, se aplicados adequadamente, resultarão em um produto além de belo, equilibrado e convidativo.

Seguindo esses preceitos, determinar o centro de interesse da composição é uma excelente forma de iniciar o estudo de qualquer ambiente. Este ponto é aquele no qual fotógrafos, artistas e arquitetos direcionam a atenção do observador, de modo a evidenciá-lo de todo conjunto.  Alguns espaços já apresentam esta região pré-determinada, mas, na maioria dos casos, ela será definida durante o processo de concepção do ambiente.

Segundo a arquiteta, Clarice Mancuso, em seu livro “Gestão de arquitetura de interiores”, os centros de interesse estão segmentados em quatro categorias dividas de acordo com os elementos que o compõem.

A primeira categoria engloba os centros denominados de arquitetônicos, pois ocorrem quando o papel de protagonista da composição é desempenhado por algum elemento da própria arquitetura do espaço. Vigas, pilares e lajes nervuradas podem ser valorizados com o intuito de assumirem este papel.

Centro de interesse arquitetônico – Escada em balanço como ponto focal da composição. Observe que o destaque a esse elemento foi proporcionado pelo contraste entre a cor do acabamento em relação as demais superfícies. Fonte: Maira Queiroz e Vanessa Faller | Foto: Lio Simas

Por sua vez, tem-se os centros de interesse naturais que, obviamente, estão relacionados a natureza. Nesses casos, a atenção do observador é direcionada, internamente, para a presença de algum vaso ou jardim vertical, ou, externamente, para alguma vista ou paisagem. Os centros naturais externos são obtidos mediante a presença de aberturas que possibilitem tal interação.

 

Centro de interesse natural – Jardim externo como ponto focal do ambiente. Fonte: Sarah Bonanno e Marina Cardoso | Foto: Alessandro Guimarães

No entanto, por não dependerem das configurações arquitetônicas ou naturais, os casos observados com maior frequência são os com pontos focais artificiais. Essa categoria abarca aquelas centros de interesse concebidos por meio de mesas, poltronas, pendentes ou qualquer outro objeto que force a atenção do observador pra determinada região.

Centro de interesse artificiais – Perceba como o olhar é direcionado diretamente ao quadro e, posteriormente, às almofadas azuis da poltrona. Tal ênfase foi obtida por meio das cores utilizadas. Fonte: Alexandre Dal Fabbro | Foto: Divulgação

E por último, Clarice Mancuso explana sobre o centros ocasionais que, como se pode presumir, ocorrem em eventos e datas específicas e são estabelecidos pela presença efêmera de algum objeto, como, por exemplo, de uma árvore de natal ou mesa de jantar posta.

Em suma, estabelecer o ponto focal nada mais é do que ajustar os elementos de modo a conduzir os olhares à região de maior interesse, restringindo as demais peças à funções complementares. Artifícios como contrates, sejam eles de cores, texturas, proporções ou iluminação, permitem evidenciar o que se deseja.

Cabe ressaltar que o centro de interesse não coincide necessariamente com o centro do espaço. Na verdade, a não coincidência entre eles torna a decoração ainda mais interessante, pois essa configuração estimula o observador a percorrer visualmente toda a composição antes de fixá-la novamente no elemento evidenciado. Além disso, uma ambientação pode contar mais pontos focais se isso não tornar a composição cansativa.

Como se pode ver, compor um ambiente vai muito além de elencar móveis e objetos, pois um decoração equilibrada e que proporcione uma vivência saudável requer, além de criatividade e bom gosto, percepção e conhecimento. Se atentar às sensações e as mensagens visuais que se quer transmitir é fundamental. Embora agora, depois de ler este texto, o ato de decorar possa lhe parecer um pouco mais complicado, não se intimide, junte suas ideias, tome posse do seu espaço e materialize sua personalidade.

 

EDSON FARIA É ARQUITETO APAIXONADO POR INTERIORES. AQUI NA DROPS, ELE ESCREVE SEMANALMENTE ESTA COLUNA SOBRE O UNIVERSO DA ARQUITETURA