“MAPAS SUTIS”, O NOVO LIVRO DE KAREN DEBÉRTOLIS

abertura karen

Escritora paranaense lança “Mapas sutis” em uma série de eventos em Londrina e conversa com a Drops sobre processo de criação e sua escolha pela poesia

Por Layse Barnabé de Moraes

Fotos: Divulgação

 

A escritora paranaense Karen Debértolis lança seu livro “Mapas sutis” (Editora Patuá). A obra traz poemas longos e curtos em duas partes, Terrestres e Marítimos. Segundo Karen, esse livro mostrou a ela os caminhos da liberdade poética e tem a geografia sentimental como marca.

Conversamos com ela para saber mais:

 

Karen Debértolis no lançamento de “Mapas sutis” em São Paulo
Foto: Ivana Debértolis

“Mapas sutis” é um livro de poemas… O que te interessa nessa forma literária? A poesia é sempre a escolha mais natural pra você?

 

O que me interessa na poesia é a imensa possibilidade de experimentação. No Mapas Sutis trabalho com poemas longos na primeira parte do livro, intitulada Terrestres, e com a síntese, o desenho do poema da página e a palavra como imagem em um poema em série intitulado Boipeba, na segunda parte que chamei de Marítimos. É uma experiência de linguagem e estrutura que foi surgindo ao longo da construção do livro, da produção dele. O projeto anterior ao livro, A Mulher das palavras, em que a poesia dialoga com a música, me abriu estas possibilidades de experimentação do Mapas Sutis, me mostrou os caminhos de uma certa “liberdade poética”. No conjunto do meu trabalho, nos outros livros publicados e no cd de spoken word, transito entre vários gêneros como a poesia,  prosa poética e prosa.

Como é a sua rotina de escrita e como foi o seu processo de criação em “Mapas sutis”?

O tempo inteiro estou conectada com o projeto que estou desenvolvendo naquele momento, trabalho sempre a partir de um projeto.

A ideia surge, observo o que aquela ideia original me aponta, rascunho um esqueleto ou a sinopse de uma proposta original e depois vou trabalhando a partir destes elementos iniciais. O Mapas Sutis surgiu ao eu observar que havia uma dinâmica de criação impulsionada quando eu estava em trânsito, em deslocamento, em viagens. Os lugares ou o próprio caminho, o deslocamento, me instigavam, surgiam ideias nesses momentos que depois eram trabalhadas e transformavam-se em poemas.

Quando você começou a produzir os poemas que fazem parte do livro? Eles já nasceram com a finalidade de compor “Mapas sutis” ou foram agrupados posteriormente?

Os poemas surgiram ao longo dos últimos anos em viagens a trabalho, turísticas ou familiares. Aos poucos, fui criando um diálogo narrativo entre eles que resultou no livro.

Em entrevista à Folha de Londrina, você falou sobre se deixar afetar subjetivamente por espaços físicos, como aconteceu quando você esteve em Boipeba. Essa sempre foi a sua dinâmica de criação?

Assim, de uma forma mais consciente, neste trabalho fica mais evidenciado. O contexto externo sempre é um ponto de partida, a matéria-prima para a escrita, mas em Mapas Sutis esta relação é muito direta.

Qual é o seu poema preferido (ou um dos preferidos) do livro? 

Todos são preferidos justamente porque constroem uma narrativa poética em uma sequência pensada no momento da edição do livro. O que talvez, de forma mais direta, traduz a essência desta geografia sentimental, como cita o Marcos Losnak no texto de apresentação, é:

 

o que um viajante precisa levar consigo:

o endereço de um amigo que mora em Berlim

folhas secas de sua árvore preferida

o itinerário preciso até a Citylights

moedas que falem a língua de vários lugares

um caderno em branco com capa de cor neutra

um coração

um chapéu para os dias frios

um chinelo para os dias de sol

frutas secas para saciar a fome

o barulho do vento marítimo uivando no córtex

a máquina fotográfica da memória

o atrito da areia ao sol escaldante entre seus dedos dos pés

mapas de desorientação dos sentidos

óculos escuros com aros de tartaruga

um tanto de coragem

menos de si mesmo

espaços vazios entre as dobras do cérebro

 

*

Confira a programação completa do lançamento aqui em Londrina:

Vai lá:

– 25 de abril, 19h – Sesc Londrina (Rua Fernando de Noronha, 264)
– 5 e 6 de maio – Feira Dobra – Museu Histórico de Londrina (Rua Benjamin Constant, 900)
– 24 de maio, 19h – Casa Madá (Gumercindo Saraiva, 74)

“Mapas Sutis”, de Karen Debértolis
Editora Patuá
76 páginas
 R$ 38

Novo livro de Karen Debértolis, publicado pela Editora Patuá