A MULHER POR TRÁS DA CANÇÃO

MUSAS E MUSICAS

Natural as mulheres serem  inspirações de vários artistas e nas mais diversas artes. Porém, a música é certamente até hoje a que mais expressa esse sentimento.

Um amor que deu certo ou um amor frustrado, um romance terminado ou um que acabou de começar, uma paixão que nunca aconteceu, a musa eterna que jamais foi esquecida e até aquela que nunca existiu além da imaginação do artista. Ao nos identificarmos com alguma dessas canções, despertando o sentimento sobre alguém que nem conhecemos ou sabemos se realmente existe, fica a curiosidade para descobrir quem foi a inspiração daquele que transformou esse amor em versos e melodias.

“Drão”, de Gilberto Gil, relata o fim de seu relacionamento com sua mulher Sandra Gadelha, cujo apelido, última sílaba no aumentativo, deu nome à música. Sandra é irmã de Dedé, primeira mulher de Caetano Veloso.

“Lígia”, de Tom Jobim, foi inspirada na carioca Lygia Marina de Moraes e jamais aconteceu algo entre eles. Lygia foi professora da filha mais velha de Tom e também esposa de seu amigo e escritor Fernando Sabino à época em que a música foi feita. Tom negava a identidade dela em respeito ao amigo, somente sendo revelada por ele, aos íntimos, após a separação do casal.

“Dona”, sucesso da dupla Sá & Guarabyra, tinha como musa a jovem Marisa Saad, filha de João Jorge Saad, fundador da TV Bandeirantes e que não apoiava o namoro da filha com o cabeludo Guarabyra. Eles se conheceram no bar Dama da Noite, reduto de artistas e boêmios no bairro de Higienópolis em São Paulo. O romance durou aproximadamente dez anos e terminou, segundo Guarabyra, por “Dona” ter ciúme da “Espanhola”, outro sucesso e amor passageiro do cantor.

Ainda anônima, Vera Zimmermann nos foi apresentada por Caetano Veloso na canção “Vera Gata”. Houve um romance relâmpago entre eles e o sucesso da canção abriu as portas do mundo artístico para a jovem loira de olhos verdes cujo Caetano também escreveu o texto de apresentação do ensaio fotográfico que ela fez para a Playboy em maio de 1991.

A “Madalena” de Ivan Lins e Ronaldo de Souza se chamava na verdade Vera Regina. A “Pérola Negra” de Luiz Melodia foi a sua namorada Marlene. Dorival Caymmi passou apuros em um show no interior da Bahia, pois um marido enciumado achou que o compositor tinha se inspirado na sua “Marina” para criar a composição, sendo essa uma mulher fictícia e fruto da imaginação de Caymmi.

Essas e outras inspirações da nossa MPB podem ser lidas com detalhes no livro Musas e Músicas, de Rosane Queiroz, cujo conteúdo possui depoimentos atuais delas que, como diz o compositor espanhol Joaquín Sabina, “no cobran derechos de autor”.