GRAFISMO POUCO É BOBAGEM

Design sem nome

Grafismo agrada por sua neutralidade e modernismo nostálgico, proporcionando dinamismo e conferindo descontração à decoração

Por Edson Faria

Seja dividindo a preferência dos consumidores nos séculos XVII e XVIII, vestindo casas com a explosão do movimento Art Déco na década de 1920 ou imprimindo atitude e bossa às composições pop dos anos de 1960, o certo é que o grafismo sempre se manteve presente durante toda a história da estamparia e da decoração. É quase impossível precisar quando eles surgiram, mas é certo que essa prática, uma das mais antigas formas de expressão do homem, foi desenvolvida pela necessidade de transmissão de ideias, conceitos e pensamentos para algo fixo. Nesse contexto, pode-se entender o grafismo como o caráter peculiar da escrita de determinada etnia, mas também como o conjunto de símbolos gráficos utilizados por um artista sem preocupações com seu significado.

Um exemplo de fácil compreensão do primeiro caso é aquele desenvolvido pelos indígenas que, com sua diversidade de origens e funções, ultrapassa os propósitos estéticos e compõe um complexo código de comunicação e significado social. Ainda assim, o indígena é apenas um dentre todo o conjunto de grafismos étnicos espalhados pelo globo. As culturas africana, indiana e polinésia estão repletas de ricos padrões que podem ser explorados e incorporados ao seu projeto.

Fonte: :Benedito Netto | Foto: Divulgação CasaCor

Em contrapartida, tem-se o grafismo geométrico que, livre de interpretações, se destacada pela valorização das formas e cores em uma repetição rítmica que traz a sensação de movimento à composição. Essa linguagem visual bastante versátil agrada por sua neutralidade e modernismo nostálgico, proporcionando dinamismo e conferindo descontração à decoração. Disponível em revestimentos, pisos e tecidos, essa profusão visual de desenhos pode ser aplicada em qualquer ambiente, com maior ou menor intensidade, de acordo com o perfil de cada pessoa.

 

Fonte: Roberto Migotto | Foto: Divulgação CasaCor

Enganam-se aqueles que acreditam que o grafismo é uma tendência voltada aos ousados, pois, dependendo da padronagem e da cartela de cores empregada, pode-se compor um ambiente contemporâneo, mas muito discreto. Quem preferi-lo em doses homeopáticas, pode inseri-lo em locais de pequena permanência ou em peças complementares como tapetes, almofadas e elementos decorativos. Por outro lado, se você gosta de impactar com a sua decor, evidencie esse hit em grandes superfícies ou em peças com maior presença, como os sofás e as poltronas.

Fonte: Ligia Maciel | Foto: Cláudio Fonseca

Visando facilitar a aplicação dessa corrente, segue a dica: pondere a quantidade de estamparia com o peso visual que ela proporciona. Sendo assim, padronagens escuras ou com linhas grossas devem ser utilizadas em elementos menores, enquanto estampas suaves ou com linhas finas podem ser aplicadas em áreas maiores. No entanto, a regra, como sempre, é o bom-senso e a harmonia do conjunto.

Fonte: Guilherme Torres | Foto: Divulgação CasaCor

Podendo ser incorporado a qualquer estilo e composição, o grafismo é uma tendência democrática, atemporal e cheia de atitude. O segredo está apenas em encontrar aquela estampa que melhor combina com a sua personalidade e com as caraterísticas do seu ambiente. Não importa se são tribais ou geométricos, marcantes ou sutis, dê novos ares a sua composição e abuse da força do grafismo, porque grafismo pouco é bobagem.