INTELIGÊNCIA EMOCIONAL DESDE A INFÂNCIA

CHILD

St. James’ lança o programa Zen Zone, elaborado para desenvolver habilidades emocionais desde a Educação Infantil

Por Layse Barnabé de Moraes

Fotos Fábio Pitrez

Vivian Savioli, Coordenadora Infantil da St. James’

O conceito de inteligência emocional se popularizou com o jornalista científico Daniel Goleman, na década de 1990, com seu livro “Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”. Ele, por sua vez, teve o primeiro contato com o termo quando leu um artigo acadêmico escrito por dois psicólogos: John Mayer e Peter Salovey – foram eles que apresentaram a primeira formulação do conceito de inteligência emocional. Em seu livro, Goleman conta que esses psicólogos trouxeram “uma visão mais ampla de inteligência, tentando reinventá-la em termos do que é necessário para viver bem a vida. E essa linha de investigação retorna ao reconhecimento de como, exatamente, é crucial a inteligência ‘pessoal’ ou emocional. […] Conhecer as próprias emoções; lidar com emoções; motivar-se; reconhecer emoções nos outros; lidar com relacionamentos”.

De volta aos tempos atuais, em função dos 20 anos da escola St. James’, Márcia Kobayashi, diretora escolar, e Marli Lachner, diretora pedagógica, fizeram uma pesquisa intensa sobre os novos rumos da educação a fim de se inspirar para o futuro da escola. Elas concluíram que os próximos 20 anos da St. James’ não poderiam ser pautados pelo modelo dos últimos 20 anos, visto que os processos educacionais estão em constante mudança e que a geração atual é completamente diferente das gerações passadas. “Não dá para comparar as crianças de 20 atrás com as crianças de hoje”, explica Vivian Savioli, coordenadora infantil da St. James’.  Marli e Márcia visitaram escolas do Vale do Silício, Finlândia e Singapura. Elas observaram que há duas grandes vertentes na escola do Século XXI: tecnologia e inteligência emocional. “Não tem como você imaginar que a escola é responsável apenas por ensinar Português, Matemática, Ciências, História e Geografia… Hoje é tudo muito acessível e esse tipo de conteúdo não pode mais ser a única responsabilidade da escola”, esclarece Vivian.

Ela também conta que, na St. James’, a tecnologia não é usada como um recurso pedagógico, mas faz parte de um conteúdo acadêmico: “Assim como a criança aprende a ler e a escrever, ela vai aprender a interação com essa tecnologia. Isso é letramento tecnológico. Em contrapartida, a forma como a gente se relaciona com as pessoas está em detrimento… e a inteligência emocional vem resgatar os relacionamentos e os sentimentos”.

 

Por isso, Vivian ficou responsável por criar um projeto que tivesse a cara da escola, sem esquecer as necessidades bilíngues, que são a marca da instituição. Com base em pesquisas científicas, conheceram o Ruler, um programa da Universidade de Yale, e, inspiradas nele, foi criado um material exclusivo para a St. James’. Os objetivos principais são: reconhecer as emoções em si mesmo e nos outros; compreender as causas e as consequências das emoções; nomear as emoções adequadamente; expressar emoções apropriadamente; regular emoções eficientemente. “A gente trabalha com um vocabulário vasto para que a criança entenda o que sente, reconheça e nomeie de forma adequada”, conta Vivian. E completa: “Com o passar dos anos, a gente acredita que os nossos alunos vão conseguir executar todas essas habilidades mais efetivamente e tudo isso ficará natural. A tendência é que os problemas de indisciplina e de conflito se reduzam lá na frente. Há melhora num contexto geral, porque quando você entende as suas emoções e trabalha consigo mesmo, você melhora o seu ambiente. Eu não posso controlar o que eu estou sentindo, mas eu posso controlar o que fazer com esse sentimento”.

 

Parar, pensar e fazer a melhor escolha

“A gente pergunta para o nosso aluno: qual é o tamanho do seu problema? É pequeno, médio ou grande? E isso vem em cores para as crianças menores. O mood meeter é o termômetro das emoções. Os pequenos começam com apenas uma palavra para cada cor e, conforme eles vão crescendo, a gente vai aumentando o número de palavras para que eles ampliem a capacidade de nomear as emoções adequadamente”, exemplifica Vivian. Além de tudo isso, há outros instrumentos, como o quadrinho que questiona sobre o que é autocontrole e convida cada aluno a parar, pensar e fazer a melhor escolha.

Aluna do Ensino Infantil abraça o mascote da Zen Zone

Na Educação Infantil e no Ensino Fundamental 1 (do 1º ao 5º ano), a inteligência emocional é algo que permeará todos os momentos de aprendizagem. Para isso, foi criada a Zen Zone (um novo espaço em cada sala de aula no Ensino Infantil e uma sala reservada no Ensino Fundamental 1), que tem como objetivo trazer a criança para a zona de equilíbrio. O mascote da área, para ajudar a criar uma identificação com cada criança, é o Pinguim, um dos itens dos cestos presentes em cada Zen Zone, que também inclui caderno de desenhos e outros itens lúdicos para trabalhar as emoções e o autocontrole.

“A teacher Márcia fez um curso que chama liderança executiva na Educação Infantil, em Harvard, e lá eles bateram muito na tecla da inteligência emocional e a importância disso nos primeiros seis anos de vida, então é algo que não dá para fazer só lá na frente, quando os problemas surgem”, esclarece Vivian. Entre as várias consequências dessa prática diária focada em inteligência emocional, autonomia e senso de responsabilidade estão entre as principais. Na folha do pensamento, a Think Sheet, por exemplo, o aluno deve responder algumas perguntas sobre seu próprio comportamento – como isso impactou os colegas e quais estratégias poderiam ter sido usadas para voltar para a zona de equilíbrio. “A expectativa, e isso é fato comprovado segundo o Ruler, é que a criança que já passou pela folha algumas vezes consiga entender melhor o porquê da repetição desses comportamentos”, afirma Vivian.

Ela reforça que o programa Zen Zone é uma experiência nova e de longo prazo, sem expectativas imediatas. Com implantação em 2018, de forma orgânica e natural, o projeto piloto é uma novidade, mas é um processo que não tem volta: “Tenho certeza que cada vez vai surgir uma estratégia nova. A escola também adquiriu vários livros que trabalham com a questão da inteligência emocional… As professoras vão lendo essas histórias e trabalhando essas questões, tanto em inglês quanto em português”.

Andrea Galli, mãe de Bruno Galli, do 8º ano, acredita que trabalhar a inteligência emocional na escola contribui muito para a maturidade em torno das emoções

Já no Ensino Fundamental 2 (do 6º ao 9º ano), é utilizado o programa Liv – Laboratório de Inteligência de Vida, criado pela Eleva Educação, que conta com minisséries, livros e todo uma dinâmica de trabalho que, na St. James’, incluirá uma hora por semana dedicada à inteligência emocional. Andrea Galli, mãe de Bruno Galli, aluno do 8º ano da St. James’, deixa transparecer a sua animação: “O material chegou agora! O Bruno pegou a caixa e já amou. É muito lindo e adequado aos adolescentes. Eles vão assistir minisséries para lidar com as próprias questões e já estão criando um laço com esse material. Isso contribui muito para a maturidade emocional, porque às vezes os conflitos acontecem na escola e a gente não está lá! Então isso dá sustentação e ferramentas para que eles mesmos comecem a se preparar desde cedo. É muito legal pensar que a Educação Infantil vai ter um material desenvolvido pela própria St. James’, adaptado às necessidades das nossas crianças”. Bruno concorda com a mãe: “O material é muito legal e bonito. Acho que vai ser bom para todo mundo, porque vai ajudar, como o nome mesmo diz, na inteligência da vida. Então vai dar para controlar e entender melhor as emoções de todos”.

Inteligência emocional se ensina?

Para saber mais sobre o assunto, fomos conversar com a psicóloga infantil e psicopedagoga Adriana Lot Dias. Ela garante que é possível ensinar alguém a ter inteligência emocional: “Isso pode ser aprendido. A criança precisa ser ensinada a identificar e nomear sentimentos, aprendendo a lidar com eles”. Ela também conta que quem tem uma boa inteligência emocional não vai passar por cima dos sentimentos, mas vai encarar as adversidades de forma diferente: “Os pais podem ajudar muito a desenvolver a inteligência emocional quando ensinam os filhos a esperar, a lidar com as frustrações. Muitas vezes, as crianças crescem com o mínimo de frustração, com a falsa ideia de que são muito importantes para este mundo, e na primeira dificuldade já se abalam. A criança pode ser super inteligente, mas se não for preparada para resolver conflitos interpessoais, para se motivar em situações de fracasso, para driblar os erros e as críticas, ela pode fracassar. É preciso que a gente permita que as crianças experimentem as frustrações”. Quanto à inteligência emocional no contexto escolar, esta se reflete na aprendizagem, mas, segundo Adriana, não se limita a isso: “também trabalha as habilidades sociais e a capacidade de resolver conflitos, dando autonomia à criança, que começa a se sentir mais fortalecida de forma geral”.

A regra, ao que parece, pode ser resumida em acolher os sentimentos e pensar na melhor solução para lidar com eles: “Eu posso sentir raiva, medo e tristeza, mas posso escolher o que fazer para me sentir melhor, não reprimindo os próprios sentimentos, mas também não ferindo os sentimentos dos outros”, completa Adriana.

Na Zen Zone, professora conta história que toca em questões referentes à inteligência emocional para alunos do Ensino Infantil