DUDI DUARTE

DUD

A arquiteta londrinense Dudi Duarte sonhou alto, arriscou São Paulo e ganhou: seu escritório de arquitetura não para de crescer (assim como seu número de seguidores) e ela caiu no gosto até mesmo dos famosos

Por Layse Barnabé de Moraes

Fotos Fábio Pitrez

 

A arquiteta Dudi Duarte, nascida em Londrina, conseguiu um feito não tão fácil: alcançar sucesso profissional antes dos 30 anos apesar de muitas adversidades. Seus projetos caíram até mesmo no gosto de alguns famosos, como a atriz Fernanda Souza, por exemplo.

Criada pelos avós, Dudi vem de uma família classe média e fez da comunicação o seu trunfo: “Sempre fui muito comunicativa e tive muitos amigos, então isso me ajudou na minha vida profissional… E eu sempre guardei dinheiro. Tanto que eu tinha como plano dar todas essas economias para o meus avós viajarem, mas meu avô faleceu antes de eu conseguir fazer isso. Então dei para a minha avó, junto com uma cartinha. Nós passamos por muitas dificuldades, mas meus avós nunca deixaram de investir na minha educação”, conta ela, emocionada.

Extrovertida, determinada e com uma energia positiva contagiante, Dudi acabou usando o seu jeito de ser para conseguir o que almejava… Primeiro cursou dois anos de Arquitetura em uma universidade de Londrina, mas sonhava mesmo era com a capital paulista. Apesar de a família não poder arcar com todos os seus custos, ela sabia que podia contar com certa ajuda, então foi atrás de uma bolsa de estudos. Mandou emails, fez contatos, se ofereceu para trabalhar nas bibliotecas e nada… Até conseguir uma entrevista na Mackenzie. Pois ganhou uma bolsa integral e em menos de uma semana estava em São Paulo. “Eu sempre fui meio doida, mas também inteligente e esperta”.

Com 18 anos e morando longe da universidade, Dudi pegava dois ônibus para chegar até lá e três para voltar. “Minha vida ficou um caos por um mês e então eu resolvi bater de prédio em prédio para ver se não havia vaga em algum apartamento mais próximo. Uma menina me viu, me cutucou na rua e disse que tinha! Então eu me mudei para uma república… Minha vida inteira tem histórias assim”, adverte ela.

“Toda vez que eu ia embora para São Paulo, meu avô chorava muito. Mas eu sentia que precisava ir, que precisava romper o cordão. Eu não sabia fazer nada sozinha e eu precisava virar uma adulta. Então esse foi um dos motivos por ter ido embora: crescer”, ela conta. Dudi se virou como pôde e não reclama: “Eu era muito feliz! Ia para as festas, tinha um monte de amigos! E também fazia vários bicos. Foi nessa época [2009] que eu fui recepcionista da Casa Cor”.

Com o contato que fez lá, ela conseguiu entrar em um dos principais escritórios de arquitetura de São Paulo, mas foi demitida em um mês. “Eu percebi que estava muito atrás das outras pessoas e comecei a me dedicar mais… Eu estava focada: queria aprender e queria trabalhar. Com essa vivência da Casa Cor, em que eu trabalhei por dois meses, conheci muitos escritórios incríveis. Depois trabalhei na Débora Aguiar por um tempinho até entrar na Patrícia Anastassiadis, onde fiquei por três anos. Foi o lugar que me abriu todas as portas e onde eu aprendi tudo o que eu sei”.

Dudi se formou, trabalhou em vários outros escritórios que eram sonhos para ela, como Dado Castello Branco e Carlos Rossi, e, depois disso, começou a seguir carreira solo: “Daí as coisas foram acontecendo naturalmente”.

 

Divisor de águas

Em 2014, ela passou um mês sabático na Ásia, um sonho antigo: “Eu meditei, conheci o Budismo, o Hinduísmo… foi uma viagem transformadora na minha vida. Lá, um amigo comentou que, na multinacional em que ele trabalhava, estavam buscando arquitetos para projetar uma nova sede. Houve uma concorrência e eu ganhei”.

Esse projeto, segundo Dudi, foi um divisor de águas: “Eu ganhei bastante dinheiro e consegui me bancar por quase um ano. A partir daí, peguei o projeto da casa do dono da multinacional e com isso as pessoas foram me conhecendo…”.

Apesar de ser uma pessoa super para cima, ela reforça: nem tudo se resume a vitórias. “Já chorei muito, já fui muito humilhada e já fiquei muito chateada com desaforos”.

 

Boas energias

Em 2014, Dudi fez da sala de casa o seu Home Office. Veio 2016 e os trabalhos rarearam.  Em abril de 2017, Dudi já tinha passagem comprada com destino a Milão para a Isaloni, a maior feira para arquitetos e designers do mundo, mas as coisas não estavam indo tão bem. “Nessa época, eu comecei a me envolver bastante com energia e conheci a Cabala, que me ajudou bastante. Então comecei a mentalizar: ‘eu vou conseguir bombar, eu vou conseguir mais cliente. Eu posso, eu consigo’. Então prometi que, se eu voltasse para o Brasil e conseguisse 6 clientes, eu abriria um escritório. Na primeira semana de volta, fechei 6 projetos e em 15 dias eu estava com o escritório montado, na rua da minha casa, dividindo com uma arquiteta que conheci lá em Milão, outra coincidência”.

As coisas engrenaram e então Dudi fez o projeto para a primeira famosa, a atriz Thaissa Carvalho. “Eu a vi comentando nas redes sociais que estava realizando o sonho de reformar a casa dos pais e entrei em contato com ela oferecendo o meu projeto”. A partir daí, Dudi fez um showroom de Óculos, conheceu o casal de famosos Shantal e Matheus Verdelho, fez mais contatos e propôs mais uma parceria, que deu certo. “Em dois meses, eu já tinha contratado mais três pessoas para o meu escritório”. Nas redes sociais, Dudi também vem ganhando muitos seguidores e se colocando também como influencer: “Eu adoro aparecer e receber o carinho das pessoas, então isso alimenta muito a minha alma”.

A maior surpresa, no entanto, foi quando recebeu um áudio da atriz Fernanda Souza, que queria que Dudi fizesse um projeto para a casa dela. “Eu comecei a gritar quando ouvi a voz! Então fiz a casa dela, ficamos bem próximas e hoje ela é minha amiga… e daí deu um boom. Hoje tenho, em média, oito pedidos de orçamento por dia”, ela comemora.

Atualmente com seis funcionários e um escritório só seu, Dudi reconhece que tudo foi muito rápido, mas não resume o lugar onde está somente à sorte: “É muito trabalho, muita dedicação, e é não ver as coisas como problemas. Eu sempre fui muito agilizada, fazia contatos, mandava emails… sempre fui muito positiva”.

“Eu nunca quis ser nada a não ser arquiteta

“Eu nunca quis ser nada a não ser arquiteta. Eu sempre soube que eu seria uma arquiteta famosa. Eu vou ser ainda. Não é prepotência… eu acreditei muito em mim. Porque eu sempre quis retribuir tudo o que meus avós fizeram por mim. Então eu só tenho a agradecer”, ela confessa.

O que o futuro reserva, nunca dá exatamente para saber, mas Dudi já tem um próximo objetivo: “Projetos internacionais… Quero muito entrar em Miami, fazer embarcação de luxo, barcos e iates, já que nesse meio tempo também fiz um MBA em mercado de luxo”.

Dudi define seu trabalho como contemporâneo, traz o Feng Shui para todos os seus projetos, onde faz questão de colocar harmonização energética, e ama materiais naturais: “tudo o que é natural traz muita energia boa para casa”, ela explica.

Seu diferencial enquanto profissional, no entanto, talvez seja conseguir olhar para cada cliente de uma forma especial: “Eu sei ler o que o cliente quer. Em uma conversa de uma hora, eu sei exatamente onde tocar o coração, então as pessoas gostam. Eu dou a elas o que elas querem de um jeito que eu aprendi a fazer bonito”.