COABITAR COM ESTILO: AMBIENTES ADAPTADOS À VIDA ANIMAL

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Criatividade e bom gosto na elaboração de soluções práticas para coexistência harmônica em ambientes compartilhados por seres humanos e animais

por Edson Faria

Foto abertura | Mesa CATable by Hao Ruam | Fonte: Lycs Architecture

Iniciada ainda no período pré-histórico, a relação homem-animal deixou há muito de ser fundamentada na conveniência para firmar suas bases na afetividade do companheirismo. Devido a necessidade humana de viver com e para seres capazes de amar, sofrer e sonhar, essa íntima convivência foi responsável por estabelecer vínculos fortes e duradouros que colocaram os animais como personagens importantes do cotidiano social. Oferecendo amor e cumplicidade sem exigências ou julgamentos, eles passaram a preencher lacunas emocionais resultantes da impessoalidade dos relacionamentos contemporâneos. Dessa forma, beneficiam não apenas a saúde física, mas também a emocional de seus protetores, que retribuem com amor e cuidados em uma ligação de sinergia.

No entanto, ainda que milenar, tal relação não se mostrou suficiente para suprir todas as ânsias do âmbito animal, conseguindo apenas assegurar uma melhora em sua qualidade de vida. Nesse contexto, a integração entre os dois universos tem se mostrado a maior dificuldade da coabitação, pois muitos tutores se esquecem que a adaptação deve ser bilateral e que correr, brincar e escalar são atitudes inerentes à natureza de seus companheiros.

Cadeira de Balanço ‘Rocking-2-gether’ by Paul Kweton

Diante dessa realidade e visando facilitá-la, o mercado tem disponibilizado recursos capazes de minimizar surpresas desagradáveis, como móveis arranhados, tapetes manchados ou objetos quebrados. O inconveniente é que, na maioria das vezes, por serem antiquados, multicoloridos ou estampados, camas, arranhadores e brinquedos acabam dando a impressão de improviso por destoarem dos demais elementos da decoração. Além disso, se analisado de modo justo, prover apenas o básico é pouco se comparado a todo espaço destinado aos tutores. Agora, imagine se os ambientes fossem planejados de modo a entrelaçar as exigências lúdicas e recreativas dos animais com os padrões estéticos e qualitativos de seus cuidadores? Pensando nisso, diversos profissionais tem aliado criatividade e bom gosto na elaboração de soluções práticas que possibilitem a coexistência harmônica em ambientes compartilhados. Essa tendência que vem ganhando espaço em um mercado milionário passou a ser conhecida como Pet Style House.

Estante ‘Cat-Library’ by Corentin Dombrecht

Os apaixonados por gatos sabem o quanto eles apreciam altura e estão sempre se aventurando em escaladas, muitas vezes desastrosas, por móveis e armários. Pensando nisso, a designer belga Corentin Dombrecht desenvolveu uma estante modular que, além de cumprir sua função primária, ainda se apresenta como um divertido playground para os bichanos em suas façanhas. Seguindo o mesmo princípio da multifuncionalidade, tem-se a CaTable (foto de abertura) idealizada por Hao Ruam que com diversos túneis possibilita que os felinos se distraiam próximos aos donos enquanto estes desempenham suas atividades sobre a mesa. Como se pode observar, tratam-se de propostas que conciliam necessidades distintas em produtos eficientes e elaborados com o mesmos cuidados estéticos dos móveis convencionais. Os materiais utilizados garantem a segurança e a durabilidade dos artigos.

No Brasil, os designers Amanda Marques e Marcus Ferreira desenvolveram para a Carbono, empresa especializada em móveis de alto padrão, algumas propostas direcionadas ao universo pet. Composta por duas camas e um comedouro, a coleção surgiu de uma necessidade pessoal do casal diante da chegada do novo morador, um bull terrier chamado Ira. Dentre as peças, uma caminha tipo manta se destaca pela possibilidade de ser usada sobre o sofá, evitando pelos e sujeira, sem comprometer a beleza do estofado ou a composição do projeto.

Cama Pet by Amanda Marques e Marcus Ferreira | Fonte: Carbono Design

Outro exemplo interessante é a cadeira de balanço de Paul Kweton que permite o relaxamento simultâneo com conforto e que se adéqua a qualquer decoração. Afinal, qual animalzinho não adora tirar um cochilo próximo ao seu dono? E para aqueles que pensam que são soluções caras e inacessíveis, observem essa proposta facilmente fabricada por qualquer marceneiro, que, associando a função de mesa lateral e cama, prova que para atender às necessidades dos ‘filhos de quatro patas’ bastam planejamento e um pouco de boa vontade.

Afinal, o ato de adotar vai muito além de inserir um novo membro em seu cotidiano, trata-se principalmente de atender da melhor maneira as necessidades instintivas, físicas e emocionais, com zelo e responsabilidade. Animais são seres conscientes e como tais são capazes de sentir e expressar sentimentos. Assim, a adaptação dos espaços não se trata de uma tentativa de humanizar o universo animal, mas sim de atender exigências primordiais com empenho e, claro, com estilo.