QUARTO MONTESSORIANO: CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E INDEPENDÊNCIA

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Espaço propicia a descoberta do novo e o autoconhecimento para crianças desde seus primeiros anos de vida

Por Edson Faria

Embora algumas habilidades comecem a ser desenvolvidas ainda no período de gestação, é após o parto que a preocupação dos pais se intensifica em relação ao crescimento próspero, sadio e seguro de seus pequenos. Para isso, especialistas enfatizam que os cuidados básicos vão além do leite materno, sono tranquilo e atenção, sendo essencial o estímulo físico e psicológico desde os primeiros dias para um eficiente desenvolvimento cerebral, pois em nenhum outro período de vida o ser humano fará tantas conquistas motoras, mentais e sociais quanto nos primeiros meses.

Enfrentando avanços e retrocessos em uma trajetória particular pela busca por maior independência e autonomia, a evolução de cada criança está associado tanto às condições biológicas, como àquelas proporcionadas pelo espaço familiar e social com o qual interage. Dessa forma, incentivá-la a aventurar-se na descoberta do novo e do autoconhecimento se mostra fundamental, sobretudo em uma realidade em que as relações tem se tornado distantes e virtuais.  Diante desse panorama, o método Montessori é evidenciado enquanto tendência por corresponder de maneira simples e objetiva a tais recomendações. Afinal, estimular consiste na tarefa de despertar o prazer e o interesse na aquisição de habilidades e na apropriação de conhecimentos.

Idealizado no início do século XX pela educadora italiana Maria Montessori, o método parte do princípio que todas as crianças tem capacidade de aprender espontaneamente através de experiências vivenciadas em um ambiente organizado de maneira a despertar seus interesses naturais, respeitando sempre sua personalidade, liberdade e individualidade. Assim, o quarto montessoriano é apenas uma parte de uma metodologia de educação que observa, compreende e se desenvolve com base na evolução da criança, e não o contrário. Sendo assim, o ambiente projetado segundo Montessori conversa com a criança, no seu tamanho e simplicidade, além de conter objetos que despertem seu interesse rumo à futura independência. Traspor isso da teoria para a prática pode parecer complicado, mas na verdade é muito simples.

 

Fonte: Nayara Macedo (Divulgação)

A ausência do tradicional berço é a característica mais marcante desse estilo de decoração. Sua substituição por uma cama baixa ou colchonete é aconselhada em decorrência do benefício psicomotor obtido pela liberdade de movimento e vivência que ela proporciona. No entanto, para que a proposta funcione de maneira adequada e coerente é fundamental que os pais se atentem também a outras adaptações. A educadora também expõe que o espaço infantil deve ser concebido segundo a perspectiva do seu verdadeiro usuário, como um mundo em miniatura, com elementos estimulantes, acessíveis e em escala apropriada para que a criança possa vivenciar experiências sem a interferência dos adultos.

Por esse motivo, a disposição de alguns brinquedos e roupas em prateleiras baixas é interessante, pois inclui a criança nas atividades rotineiras e auxilia no aprimoramento do seu senso de organização e espírito de colaboração. Lembrando sempre que a interação da criança com o espaço ocorrerá de forma espontânea e gradual de acordo com seu estágio de desenvolvimento.  Cantinhos para brincar, desenhar e estudar devem ser pensados também em escala infantil mas ainda serem flexíveis às adaptações de crescimento, vontades e brincadeiras.

Cabe salientar que toda essa liberdade acarreta em cuidados redobrados no momento de especificar o mobiliário e demais objetos da composição. Móveis com quinas vivas e vidros devem ser evitados por motivos óbvios e, os demais elementos devem estar fixados de forma segura, preferencialmente com fita dupla-face, para anular qualquer possibilidade de acidentes.

Fonte: Erica Salguero | Foto: Maura Mello

O método italiano ainda aconselha o uso de barras de apoio para auxiliarem os primeiros passos e espelhos que permitam a autoanálise corporal e fisionômica durante os estágios de autoconhecimento e aperfeiçoamento das habilidades motoras.  O uso de pisos ou tapetes emborrachados auxiliarão nas possíveis e prováveis quedas durante esse processo.

Com relação à ambientação, o importante é que ela seja lúdica e criativa. Fuja dos padrões rosa e azul e estimule o desenvolvimento cognitivo por meio de novas composições de cores, formas e texturas.  O quarto deve ser aquele espaço mágico que concilia o real e o imaginário em um viagem divertida e enriquecedora, tanto intelectual quanto afetivamente. Nunca se esqueça que aquele será o universo da criança pelos próximos anos e mantê-lo em constante transformação é essencial para a criança continue se identificando com ele durante sua evolução.

Embora inicialmente sejam os pais que componham o quarto montessoriano, sua evolução enquanto composição ocorrerá de modo e em tempos distintos em cada família pois toda criança é única e dotada de preferências, comportamentos e ritmos de aprendizado diferentes. A premissa para aqueles que optam por essa filosofia é compreender, respeitar e, sobretudo, valorizar a individualidade da criança, cabendo ao adulto apenas a transmissão e segurança em seu processo evolutivo. Princípios simples como os apresentados por Montessori favorecerão não apenas suas habilidades físicas e sensoriais, como também auxiliarão na regulação e promoção da sua autoestima. Sendo assim, o quarto montessoriano não se apresenta apenas como uma decoração atraente aos pais, mas sobretudo como base para um processo evolutivo próspero e saudável fundamentado na originalidade do ser. Dessa forma, repense o espaço do seu filho e permita que ele tome posse do seu bem mais precioso: sua identidade.

Grão de gente (Divulgação)