COOPERATIVISMO ESTIMULANDO TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS

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Agência digital do Sicredi União PR/SP, em Cafeara, é a primeira do Sistema no Brasil e, mais que transações financeiras, a instituição contribui para a transformação financeira e social do município

Por Nara Chiquetti
Fotos: Fábio Pitrez

A partir de um ideal surgiu uma ideia, que se transformou em projeto, e este em uma realização. O objetivo de ir além das tarefas rotineiras de uma instituição financeira e provocar transformações sociais em uma comunidade inteira foi o que inspirou o propósito de inovar e levar acesso não só a serviços bancários, mas principalmente fomentar a economia e desenvolver os cidadãos e toda a cadeia produtiva de um pequeno município do interior do Paraná. Com a instalação da primeira agência digital do Sistema Sicredi no Brasil – sem nenhum dinheiro físico –, o Sicredi União PR/SP conseguiu alcançar seu objetivo de ser socialmente relevante aos moradores de Cafeara, no norte do Paraná, com cerca de três mil habitantes, distante 493 km da capital Curitiba.

Em seus 63 anos de existência, o município, como muitas outras cidades do interior do país, sofreu com a violência gerada pelos roubos e assaltos a bancos, o que contribuiu para que as instituições financeiras deixassem de investir em agências na pequena cidade. Mas hoje os moradores de Cafeara constroem uma nova história. Aos poucos, a economia local volta a se desenvolver. Isso porque, eles não precisam mais movimentar seus rendimentos ou buscar crédito em bancos de outros municípios da região. Há nove meses, os cafearenses contam com a agência digital: a Smart Container Sicredi União PR/SP –, que oferece todos os serviços bancários da instituição, inclusive financiamento rural, a seus associados. O único item de uma agência convencional que não se encontra por lá é dinheiro vivo, nem uma moedinha sequer, acredite.

E esse detalhe, garantem os moradores, não faz tanta falta, já que cada associado pode comprar normalmente no comércio local apenas com seu cartão de débito e crédito da Sicredi. Esse é mais um dos diferenciais da agência: incentivos especiais aos seus associados, sejam eles pessoas física ou jurídica.

Como parte da ideia de desenvolvimento da região e transformação social, pensado e planejado por meses, a instituição firma parcerias com os comerciantes locais para instalação de máquinas de cartão para pagamento em débito e crédito, por meio do incentivo de serem isentas de anuidade ou aluguel, assim como as contas pessoa jurídica, que também não geram cobrança de cesta de serviço. Para os associados pessoa física, são oferecidos todos os serviços da instituição – um leque de mais de 300 produtos – só que tudo de forma on-line, e também não há a cobrança de cesta de serviços e anuidade do cartão de crédito.

As linhas de crédito rural oferecidas pela instituição facilitam a vida financeira do casal de agricultores Ana Manganaro Salviano e Antônio Salviano Neto, que comemoram a Agência Smart no município

O casal Ana Manganaro Salviano e Antônio Salviano Neto agora faz parte dos 3,9 milhões de associados da instituição. Depois de anos sem uma agência bancária no município que atendesse as suas necessidades de investimentos financeiros, os agricultores comemoram a instalação da Agência Smart. “Eu nem acreditei quando disseram que iria abrir uma agência da Sicredi aqui em Cafeara”, diz dona Ana. Para o casal, as linhas de crédito rural oferecidas pela instituição têm feito a diferença na vida e na rotina administrativa da propriedade.

Presente em 22 Estados do país, a Sicredi informou que R$ 8,2 bilhões em crédito rural foram disponibilizados nos primeiros quatro meses desta safra 2018/19, 22% mais que em igual período (julho a outubro) do ciclo passado. Somente para custeio da safra, foram R$ 6,4 bilhões. No total, quase 84% dos desembolsos foram direcionados a pequenos e médios produtores rurais. Pela economia eminentemente agrícola de Cafeara – metade do PIB do município advém da agropecuária – e o perfil da cooperativa de crédito de empreender socialmente é essencial ao desenvolvimento de seus associados.

Ana e Salviano Neto contam que há tempos vinham sofrendo com a dificuldade de relacionamento com bancos convencionais de outros municípios. “Buscávamos crédito para custeio da produção, mas a burocracia impedia as negociações. Eles [bancos] judiavam da gente com o mau atendimento”, desabafa Salviano Neto. O casal diz que se sente mais a vontade para negociar com a agência cooperativa local, e além do custeio da produção, já fechou inclusive outros investimentos, como seguro de maquinário agrícola. “Estamos muito contentes com o atendimento aqui, é muito mais fácil o relacionamento”, avalia dona Ana. “O foco da Sicredi no produtor rural faz toda a diferença”, afirma o agrônomo Daniel Bortolassi, que além de associado é parceiro de negócios da agência, oferecendo seus conhecimentos agronômicos aos associados da região, como no momento dos cálculos para o custeio da produção agrícola.

Para eles, não ter dinheiro vivo na agência da cidade é um benefício, já que evitaria atrair a atenção de bandidos, por exemplo. Dona Ana recorda inclusive momentos de terror que ela e o marido viveram durante uma situação de assalto pela qual passaram. “É uma vantagem não ter dinheiro na agência, mesmo porque, quem paga o prejuízo é o cliente”, conclui.

Rosa Covre destaca que, na era digital, compra com pagamento em cartão é algo primordial

Os comerciantes da cidade também fazem avaliação positiva do retorno dos investimentos financeiros na cidade, atraídos pela Agência Smart Container. Voltar a ter agência bancária no município já era solicitação constante e antiga dos lojistas ao poder público para fomentar o comércio local. A partir dessa agência, a população volta aos poucos a consumir na própria cidade, já que muitos moradores não precisam mais se deslocar para outros municípios da região para receber o salário e passam a comprar ali mesmo, no comércio local. Esse movimento também é resultado das ações complementares que fazem parte do projeto e instalação da instituição.

A Sicredi ofertou, durante o processo de execução do projeto, cursos de educação financeira a comerciantes e moradores da cidade para que pudessem usar com segurança e consciência o cartão de crédito e demais serviços ofertados pela instituição. Rosa Covre, proprietária da loja Rosa Modas, considera que o uso do cartão no comércio melhorou o dia a dia nas vendas. “Antes, o pessoal não tinha essa visão de uso do cartão, mas estamos nos tempos do digital, não precisamos mais andar com dinheiro na carteira”, analisa a comerciante que, assim como Elvis Sanishigue, proprietário do mercado Água Limpa, vê as vendas aumentarem a cada mês, graças aos pagamentos em cartão.

Elvis Sanishigue aponta que cursos sobre administração financeira ofertados pela instituição foram fundamentais para seu comércio

Segundo Sanishigue, 60% das vendas mensais em seu estabelecimento são pagas com cartão. “É um grande incentivo ao comércio não pagar mensalidade de aluguel da maquininha de cartão, e ainda ter isenção na cesta bancária, assim como para os demais associados, esses valores, se cobrados, pesariam nos nossos custos”, comenta Sanishigue. O comerciante conta ainda que os cursos de educação financeira oferecidos pela Sicredi foram fundamentais para a profissionalização de sua administração comercial. “Foi muito bom receber esses treinamentos, eles ampliam nossa visão, são diferenciais para a empresa. Aprendi muita coisa nova que pude aplicar no meu dia a dia”, avalia.

O prefeito de Cafeara, Oscimar Sperandio, enaltece o envolvimento da instituição com a comunidade, e comemora o retorno positivo à economia do município. “Mais que uma instituição financeira, eles [Sicredi] participam da vida da comunidade, incentivam o comércio, eventos, investem no desenvolvimento dos cidadãos, envolvem-se mesmo com o social”, declara. “Para um município pequeno como o nosso, isso tudo é uma grande conquista”, complementa.

De acordo com Sperandio, a instalação da agência e o entendimento do sistema cooperativista mudou Cafeara e os cafearenses. “Os programas socais do Sicredi são muito importantes para a população como o ‘União Faz a Vida’ e as aulas de informática, ajudam muito capacitando nossos cidadãos”, diz. Ele conta ainda que foi uma grata surpresa a adesão dos moradores ao projeto. “O atendimento na agência é muito bom, dispensam atenção especial aos associados. Além disso, ela atende plenamente as necessidades dos agricultores e dos demais moradores”, opina.

Da ideia à concretização

Baseado no conceito mundial das cashless cities (cidades sem dinheiro vivo), o projeto da primeira agência Smart Sicredi surgiu a partir de muito estudo e, principalmente, do estímulo de inovar de forma a ser relevante à sociedade, no sentido de provocar transformações financeiras e sociais. David Conchon, superintendente de Negócios da Sicredi União PR/SP, explica que é um desafio à instituição buscar formas de atender às necessidades da sociedade em que atua, uma delas é desenvolver formas de alcançar também as pequenas comunidades.

O alto custo operacional para se manter a estrutura e funcionamento de agências bancárias convencionais inviabiliza a instalação em pequenos municípios. “A instituição não visa lucro, mas é preciso que a agência não dê grande prejuízo, porque inviabiliza sua manutenção”, diz Conchon. “Questionamo-nos: como atender pequenos municípios? Como instituição cooperativa financeira, temos um papel social de desenvolver a comunidade, e os pequenos municípios no interior do Paraná estão morrendo, porque as instituições financeiras já não estão mais lá, o comércio para, o dinheiro não circula”.

A partir dessas indagações veio a ideia de adaptar à realidade local e às legislações brasileiras o modelo de cidade sem dinheiro, ou cashless cities, aplicado em diversos locais pelo mundo. Conchon conta que o estudo contemplou análise da tecnologia necessária à implantação de uma agência que fosse capaz de oferecer todos os serviços da instituição, inclusive com a manutenção de funcionários diariamente, além do levantamento de quais municípios poderiam receber esse modelo de agência totalmente digital. “Estudamos quais os municípios da nossa região não tinham instituição financeira e que poderia ser um piloto. O que definiria a cidade a ser contemplada seria a vontade da comunidade de se envolver, apoiar e participar. Como é um projeto inovador, sem a participação da população ele não funciona”, declara.

O superintendente de negócios da Sicredi União PR/SP, David Conchon, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto e ministrou pessoalmente palestras sobre cooperativismo e educação financeira à comunidade

Dos municípios analisados, Cafeara foi o que se mostrou mais disposto a aceitar o projeto. Mas, não foi tão simples conquistar o apoio da população. David Conchon conta que foi necessário todo um processo de convencimento das lideranças locais que, inicialmente, ansiavam por uma agência convencional na cidade. Prefeitura, Câmara de Vereadores, comerciantes, igreja católica formaram o grupo de líderes locais que apoiaram o projeto. “Em principio foi um balde de água fria, porque eles queriam o dinheiro. Convencemos sendo muito verdadeiros, apresentei imagens que mostravam o resultado de ações de bandidos nas nossas agências, em municípios da região, que a população de Cafeara conhecia, e questionei se valeria ter dinheiro e correr o mesmo risco de violência. A partir daí, eles se colocaram dispostos a receber a agência digital e desenvolver esse algo novo” relata.

Parte da responsabilidade social do projeto abarca trabalhar a inclusão digital e educação financeira da população local – grande parte idosos –. além baixar os custos para os associados da agência. Sem dinheiro, a instituição já elimina os altos gastos com segurança e transporte de valores. Para minimizar os gastos com instalação, a estrutura da agência é montada em dois contêineres, alocados na praça da Igreja matriz, no centro da cidade – local cedido pela paróquia – e que conta com ar-condicionado, dois colaboradores diariamente, computador à disposição para os associados realizarem consultas e movimentações financeiras e até sala de reunião aberta à comunidade. Uma estrutura sustentável, mantida por energia fotovoltaica e captação de água da chuva.

Mas, para garantir que todos os moradores tivessem acesso pleno aos serviços da agência, Conchon relata que fez um estudo dos processos do modelo cashless cities aplicado na Índia e levantou os principais motivos do fracasso em algumas cidades. “Eram populações com limitações financeiras e se instalou agências sem dinheiro, mas que cobravam manutenção de conta, o que resultava, muitas vezes, na escolha entre ter a conta no banco ou ter dinheiro para comprar comida”, diz.

Com base nesse estudo, a instituição decidiu tirar todas as barreiras para o associado, permitindo contas gratuitas – sem cobrança de cesta de serviços ou anuidade do cartão de crédito – tanto para pessoa física, quanto jurídica. Esta última ainda tem acesso a máquinas de cartão para a empresa sem cobrança de mensalidade de aluguel. “É um ciclo de transação sem custo para a comunidade”.

O superintendente de Negócios destaca ainda que foram oferecidos cursos de cooperativismo à comunidade, a fim de apresentar as diretrizes do sistema cooperativo. “Vários cursos desse foram realizados na comunidade, com todo tipo de público, desde jovens a idosos. Inclusive ações teatrais dentro das escolas (chamado Teatro Caravana Kids), ensinando o cooperativismo, seus objetivos e a importância de poupar dinheiro”, comenta Conchon. “O objetivo era que eles sentissem que aquilo não é da Sicredi, é da e para a comunidade de Cafeara”, acrescenta. Houve, portanto, todo um processo de mudança cultural dos moradores, reafirmando que o objetivo da instituição compreende o desenvolvimento social.

Além disso, foram ministrados também cursos de educação financeira à população e comerciantes (dois desses cursos foram em parceria com o Sebrae.): o projeto chamado “Na ponta do lápis”, que tem por objetivo educar as pessoas financeiramente, para que possam lidar com dinheiro de forma segura e consciente. “Porque não podemos oferecer um cartão de crédito na mão do associado sem ele saber como lidar conscientemente com isso”, ressalta.

Conchon não só foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento e condução do projeto, como também ministrou pessoalmente cursos à comunidade cafearense. “É da cultura da instituição o voluntariado entre os colaboradores. Dispus-me a ir pelo carinho que tenho pelo município. A grande dificuldade é ganhar a confiança e o apoio da comunidade, e sem eles nada é possível. Nenhuma instituição faz uma transformação financeira sozinha”.

Para Carla Sonoda, os preceitos do cooperativismo estimulam o envolvimento com projetos de transformação social na comunidade

Há quase uma década trabalhando na cooperativa, Carla Sonoda, gerente regional de Desenvolvimento Norte Sicredi União PR/SP, exalta que as ações da instituição não se restringem à área financeira, pois faz parte da cultura da organização estimular em seus colaboradores e associados o interesse em se envolver com a comunidade local. “Fazemos ações com toda a comunidade, promovendo inclusão social. Os colaboradores participam, e esse envolvimento ultrapassa as paredes da agência”. O resultado é não só geração negócios, mas também criar confiança e relacionamento. “Estamos crescendo mais de 20% ao ano, mais que bancos, porque há esse relacionamento. Como cooperativa, tenho que ter esse olhar diferente, porque não temos clientes, temos sócios, eles são donos. E as pessoas querem ser tratadas como gente”, defende.

Em parceria com a Visa, a instituição realizou um evento memorável à comunidade. Os próprios moradores descrevem como um dos maiores eventos realizados em Cafeara. A ideia foi proporcionar à população a experiência de comprar utilizando como moeda somente o cartão da instituição. Cada morador recebeu um cartão com um crédito de R$ 20 para consumir na festa, montada na praça da Igreja matriz, junto à agência, com barracas de alimentos, bebidas e outros produtos. Foram confeccionados mais de dois mil cartões contactless (os primeiros com a tecnologia de aproximação confeccionados pela Sicredi). Ali, nenhum artigo seria vendido com pagamento em dinheiro vivo, uma verdadeira imersão da comunidade no mundo digital. “Foi o melhor evento que já fiz na minha carreira”, garante David Conchon. A Sicredi organizou toda a estrutura e a comunidade participou com serviços, vendendo os produtos. “Praticamente a cidade toda estava lá”, lembra Conchon.

A agência já soma quase 60% da população economicamente ativa do município associada. “Cafeara tem economicamente ativas 700 pessoas, segundo o IBGE, e temos 412 delas associadas, utilizando cartão, seguros, consórcios, crédito rural, poupança”, diz o superintendente de Negócios. Para ele, a cidade correspondeu muito bem ao projeto. “A agência já está equilibrada do ponto de vista de receitas e despesas, mesmo tendo pouco tempo de funcionamento. A gente não espera que dê lucro, mas tem que manter o equilíbrio”. São 38 estabelecimentos comerciais na cidade, praticamente todos com maquininha. De posto de combustíveis, materiais de construção à farmácia e supermercados. Até a igreja recebeu uma máquina de cartão. A internet na praça, no entorno da agência, é livre à população. “Quando chegam os fins de semana ficam os jovens na praça, todos conectados via wi-fi”, revela David Conchon.

A partir da avaliação positiva do retorno e engajamento da população cafearense ao projeto, já está em andamento o processo de disseminação de novas agências smart a outros municípios. A Sicredi União PR/SP é a maior regional desse sistema cooperativo e, até 2019, vão ser inauguradas mais 32 agências em sua área de atuação. Dessas, seis são no modelo cashless cities, duas delas no Paraná, as demais no Estado de São Paulo.

Recém empossada no cargo, a gerente regional de Desenvolvimento Norte, Carla Sonoda, considera um valoroso desafio dar prosseguimento ao projeto das agências digitais, e garante que o segredo para alcançar êxito nas transformações sociais é ter paixão pelo que faz. “O importante é que não buscamos apenas resultados financeiros positivos, como cooperativa, nossos objetivos vão muito além disso; criamos um bom ambiente de trabalho, com valorização e crescimento profissional e isso se reflete nas ações com a comunidade”, diz.

Fazer a diferença todo dia

Agência já soma quase 60% da população economicamente ativa do município associada

O gerente geral da agência em Cafeara, Éder Romeiro, avalia que a equipe e o próprio sistema cooperativo alcançam a cada dia, em Cafeara, o propósito de mudar a cultura local, contribuir com a segurança e fomentar o desenvolvimento da comunidade. “Modificamos a vida dos moradores, que têm principalmente perfil agrícola. Esses produtores estavam frustrados pela dificuldade de acesso ao crédito, passaram a conhecer o que é o sistema cooperativo financeiro, fizeram as contas e verificaram que vale a pena ser um associado”. Segundo Romeiro, os eventos realizados com a população foram fundamentais para ampliar os horizontes dos cafearenses. “Promovemos eventos com a comunidade que os fazem perceber que viemos para somar, com uma equipe engajada, preocupada em fomentar riquezas para a cidade”.

Empregar profissionais da própria cidade é outra preocupação da instituição. No dia a dia da agência trabalham Tiago Borlot Altino e Mariana de Oliveira Silva, respectivamente gerente e assistente de negócios da cooperativa, que partilham do mesmo sentimento de tomar como missão fazer a diferença na vida da comunidade. Ela, nascida em Cafeara, e ele se mudou de Jaguapitã, município próximo, para Cafeara com a família ao assumir o cargo local. No dia a dia da instituição, eles contam que a procura e aceitação do projeto impressiona. “O modo de vida aqui evoluiu muito com o conceito digital, foi um efeito transformador”, considera Mariana Silva.

Nesses nove meses de funcionamento da agência, Altino afirma que é constante o fluxo de movimentações financeiras na instituição, com praticamente todo o comércio com credenciamento das máquinas de cartão e contabilizando mais de 400 associados, a maioria deles produtores rurais. “Temos um volume de crédito satisfatório, principalmente custeio rural e financiamentos. Nossos maiores parceiros são os agricultores”, diz.

Cooperar é investir no desenvolvimento social

Uma das ações permanentes na comunidade é a escola de informática gratuita, com aulas de informática básica e que ensinam até como lidar com o internet banking ministradas por um professor local, com equipamentos fornecidos pela cooperativa

Além de apresentar um novo conceito em agência bancária, a Sicredi União também investe no desenvolvimento de cidadãos conscientes, despertando o espírito de responsabilidade financeira, pertencimento à comunidade e acesso ao conhecimento tecnológico, mudando a maneira de viver, pensar e agir do cafearense.

Um dos legados da implantação da Agência Smart Sicredi é o curso de informática para a comunidade. A instituição mantém o programa “Centro de Informática da Sicredi União PR/SP”, que desde 2013 concede oportunidade de desenvolver conhecimentos em informática a alunos de todas as idades. Só este ano, o projeto forma cerca de 150 alunos de oito municípios do Paraná e um de São Paulo, entre eles Cafeara, que recebeu a inclusão desse programa juntamente com a instalação da agência. O curso é gratuito, tem duração de quatro meses, com turmas no primeiro e segundo semestres.

Nas duas aulas semanais, os alunos aprendem informática básica: que inclui sistema Office, redes e internet e mídias sociais. Nos quatro anos de funcionamento do programa, a instituição financeira cooperativa formou mais de 900 alunos. O objetivo é levar conhecimento a quem não tem acesso, promovendo a inclusão digital. Para isso, a Sicredi disponibiliza equipamentos e firma parcerias locais, que cedem o espaço físico. Em Cafeara, a parceria é com a Prefeitura Municipal e Secretaria de Assistência Social. Os professores são profissionais da própria comunidade.

Bicicletas do projeto “Use e Devolva”

Na pacata cidade paranaense, locomoção não é problema, já que os deslocamentos são relativamente curtos. Mas, poder se deslocar com mais agilidade e ainda se exercitar ao mesmo tempo sempre é uma excelente opção. Os cafearenses têm à disposição, durante todo o período de funcionamento da agência, bicicletas para uso coletivo. É o projeto da Sicredi chamado “Use e Devolva”. Os funcionários da agência contam que elas são utilizadas diariamente pelos moradores.

Outro projeto que o município recebeu foi o “União Faz a Vida”, que dá apoio ao ensino público municipal, estimulando uma metodologia de ensino que permite aos alunos serem protagonistas do processo de aprendizagem e desenvolve o senso de cidadania e cooperação. “Por exemplo, os alunos saem das salas de aula, fazem expedições, escolhem os temas a serem abordados, voltam para a sala e trabalham o tema democraticamente escolhido. Uma metodologia desenvolvida pela USP e implantada na Sicredi no Brasil todo. Esse projeto veio para mudar a realidade das crianças de Cafeara”, explica David Conchon.