VERDINHO BÁSICO: URBAN JUNGLES SÃO OS NOVOS OÁSIS DOS CENTROS URBANOS

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Segundo ambientalistas, o contato com a natureza deveria ser uma prescrição médica, já que tal conexão auxilia nos cuidados com o corpo, a alma e a espiritualidade

por Edson Faria

Foto abertura | Marcelo Salum – Casa Cor SP 2018 | Foto: Rafael Renzo

A existência do homem está intimamente ligada à sua relação com a natureza e com os complexos processos físicos, químicos e biológicas estabelecidos com ela. Afinal, é dessa generosa relação que o indivíduo obtém tudo que precisa para sobreviver e prosperar. No entanto, com o êxodo rural e com o abandono acentuado do ambiente natural a partir do século XVI, o homem começou a promover uma divisão equivocada e autodestrutiva entre ele e o meio, esquecendo-se que alimento, água, materiais e nutrientes só podem ser obtidos através dos ecossistemas. O resultado desse processo de abandono e mecanização, não poderia ser outro senão escassez de áreas verde, água potável e redução da biodiversidade. No entanto, diante desse panorama inconsequente e assustador, diversos profissionais das mais variadas áreas têm se unido na tentativa de compensar os danos causados e minimizar os prejuízos futuros. E assim, em meio a essa comitiva universal de salvamento, dois holandeses tiveram a ideia singela de aliar suas paixões por plantas e decoração na criação de um novo hobby: o Urban Jungle.

Fonte: Meyer Cortez – CasaCor SP 2018 | Foto: Felipe Araújo

Embora o termo seja exótico e pareça complexo, o conceito é muito simples e já vem sendo utilizado há muitas décadas por mães, tias e avós. A premissa dessas selvas urbanas é introduzir dentro das edificações elementos do meio natural, promovendo assim uma coexistência harmônica e simbiótica que independente da área disponível ou da quantidade de plantas desejadas. Tal iniciativa que para alguns pode ser exagerada e ineficaz é capaz de proporcionar benefícios físicos, emocionais e espirituais, visto que alguns especialistas já têm diagnosticado, com base no confinamento da vida moderna e na impessoalidade das relações virtuais, crianças com a transtorno de déficit de natureza. Em consequência, habilidades sociais e cognitivas que antes deveriam ser ampliadas natural e inconscientemente ao ar livre acabam sendo reprimidas ou superficialmente abordadas.

O cenário é tão preocupante que a proposta, inicialmente despretensiosa, se fortaleceu como tendência e acabou se tornando tema da Casa Cor São Paulo 2018, pois, ao contrário dos tão afamados jardins verticais, essa nova proposta pode ser facilmente rearranjada e implementada em qualquer
ambiente
desde que sejam respeitadas as necessidades de luminosidade de cada espécie. Dito isso, salas, quartos, cozinhas e inclusive banheiros podem ser enriquecidos com esse recurso que além de propiciar aconchego e brasilidade, beneficiam a qualidade de vida pela purificação do ar.

Afora isso, praqueles que não dispõem de grandes áreas para vasos de chão, os Urban Jungles podem ser dispostos em estantes, prateleiras, suportes metálicos ou mesmo em vasos suspensos. Tratam-se de alternativas que fogem do convencional e proporcionam diversidade a composição. Como pode-se ver, o Urban Jungle reúne tudo que a maioria das pessoas deseja: beleza, economia, praticidade e qualidade de vida.

Fonte: Pati Cillo Arquitetura – CasaCor Franca 2017 | Foto: Felipe Araújo

Dentre as espécies aconselhadas estão dracenas, ficus elastica, pacovás, peperômias, costelas-de-adão, jiboias e samambaias que exigem pouca dedicação pois necessitam apenas de duas regas semanais durante o verão e apenas uma no inverno.

Em uma realidade em que praças, parques e bosques estão sucumbindo em meio ao concreto, o que antes era coisa de avós virou moda entre os jovens europeus e tendência entre os brasileiros, visto que, compor seu oásis particular é uma solução criativa e cheia de personalidade àqueles que buscam vitalidade, bem-estar e qualidade de vida.

Fonte: Andreia Spessatto e NairaSa – CasaCor GO 2016 | Foto: Jomar Bragança