É ÉPOCA DE PITAIA

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Conhecida também como fruta do dragão, pitaia vem conquistando, aos poucos, apreciadores

Por Nara Chiquetti

Fotos Fábio Pitrez

Com cinco décadas de experiência na produção de frutas, João Alves dos Santos se encantou pela beleza e sabor da pitaia

São diversas as frutas da estação, por exemplo: abacate, abacaxi, caqui, mamão e… pitaia. Essa fruta, produzida por um cacto originário da América central e México, vem se tornando a cada safra mais conhecida no Brasil, e tem conquistado o apreço dos produtores, como João Alves dos Santos, que há quase cinco décadas cultiva frutas. Na propriedade, em Guaravera, distrito de Londrina, a pitaia tem ganhado espaço. Atualmente são 250 pés, de cinco variedades, que ocupam o espaço onde antes cresciam uvas.

Tudo começou quando Santos ganhou uma muda de pitaia, há uns 5 anos, de um amigo, que trouxe a planta da Colômbia. Ele a plantou junto ao parreiral de uvas, principal atividade da propriedade. A planta cresceu e, na primeira florada, já se encantou por sua beleza e sabor. A partir daí, decidiu investir e ampliar a produção. “O amigo que me deu a primeira muda de pitaia me ligou perguntando o que eu tinha achado da fruta após a primeira produção. Eu adorei, e já busquei com ele mais 140 mudas”, conta.

A planta é um cacto, que solta grandes flores brancas, que chamam atenção pela beleza. Após a polinização, da flor surge o fruto, que cresce e está pronto para o consumo em cerca de 50 dias. Entre seus benefícios, é rica em vitaminas, fonte de energia, auxilia na diminuição do colesterol, na saciedade e diminuição da vontade de comer doces. Suculenta, de sabor doce, pode ser consumida in natura, em sucos, sobremesas, geleias. E suporta cerca de 30 dias sob refrigeração.  

Polinização é feita manualmente à noite, quando as flores se abrem completamente

Santos trabalha com cinco variedades diferentes de pitaia – duas vermelhas, duas amarelas e uma branca –, que produzem frutos com cores e tamanhos distintos. Para garantir a produção, o agricultor realiza a polinização manualmente. As flores se abrem somente à noite. Nesse período ele retira o pólen com auxilio de uma máquina, e o espalha uma a uma com a ajuda de um pincel. “A flor abre por volta das 21h. E fico até cerca de 1h, 2h da manhã realizando a polinização”, comenta. “Porque o segredo está na polinização correta. Sem ela, a fruta não fica tão grande, desenvolvida”.

“Por isso, o ideal é que, após a polinização, não chova dentro de dois ou três dias, para garantir a fecundação. Se houver muita chuva, há o risco de perda, principalmente as flores que nascem voltadas para cima e podem acumular água”, acrescenta. Logo após esse processo, já se inicia o crescimento da fruta. A flor se fecha e suas pétalas aos poucos morrem, mas normalmente permanecem grudadas ao fruto, servindo como um escudo para evitar, por exemplo, ataque de insetos na parte sensível da ponta.

Em cada safra, saem da propriedade cerca de 1500 kg de pitaia. Produção que vai aumentar, pois uma nova área já inicia a produção. Cada fruta, garante o agricultor, tem em média de 600g a 1 kg. “Cheguei a colher ano passado fruta de 1,1 kg”, comemora. A produção é comercializada a clientes diretos e frutarias.

O custo de implantação é relativamente baixo. É necessário estrutura de sustentação para o desenvolvimento da planta. Na propriedade, o agricultor aproveitou a estrutura do parreiral de uva já montada para o plantio da pitaia. Um sistema de gotejamento, para que não falte água em caso de estiagem, ajuda a garantir uma boa safra. Segundo João dos Santos, também é importante a instalação de telas sombrite, para manter os frutos protegidos. “Segundo as informações técnicas que busquei sobre a planta, é indicado que elas tenham entre 18% e 20% de sombra. E é visível a diferença que faz a cobertura, mesmo porque, temos que tirar produtos perfeitos, sem marcas insetos, nem defeitos”, avalia.

Floração começa entre final de novembro e início de dezembro

A mão de obra para produção também é baixa, com exigência na polinização e colheita. “Eu faço tudo só com um funcionário”. O custo menor com mão de obra é um dos motivos que tem feito a uva perder espaço na propriedade para a pitaia. Após a produção, por volta do mês de maio, inicia-se o desbaste e retiradas das mudas. Ao fim de novembro, já começa uma nova florada.

“O importante dela é ser orgânica, a pitaia não necessita de defensivos químicos. Isso é muito importante para uma alimentação saudável”, destaca o agricultor. Na cultura é aplicado somente adubação com zinco, fósforo e potássio.

Além das variedades já conhecidas, Santos recebe também mudas trazidas até do outro lado do mundo, como Japão e Austrália, a exemplo da pitaia mini, cujo fruto tem espinhos, que caem quando está madura, e pode ser produzida em vasos. A fruta é menor, mas muito doce e suculenta. Ele conta que o agrônomo que dá  assistência técnica à propriedade é quem traz as novas variedades para serem testadas e produzidas por Santos.