O PROTAGONISTA

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É assim que o aluno passa a ser visto na perspectiva das metodologias ativas de ensino, que aplica estratégias didáticas estimulando o aprendizado pela prática e maior interação

Por Nara Chiquetti

Fotos Fábio Pitrez

Aquela visão que normalmente vem à mente quando se fala em sala de aula, de um professor à frente de um quadro negro explicando sobre determinado tema e o aluno na outra ponta anotando e escutando está sendo transformada, pelo menos em alguns momentos durante o calendário escolar.

Juntamente às aulas tradicionais, as metodologias ativas têm sido adotadas pelos colégios, proporcionando novos papéis a alunos e professores

Isso porque, as metodologias ativas vieram para ficar. Trata-se de lançar um novo olhar sobre o aluno e a forma de ensino praticada. Sair do tradicional e oferecer outra abordagem, estimulando no aluno a consciência de que ele é o principal responsável por sua aprendizagem e desenvolvimento, colocando o professor não apenas como fonte do saber, mas como um mentor, que estimula, orienta, direciona. Novo papel para ambos, e que tem gerado resultados extremamente positivos, garantem as escolas que já aplicam esse modelo em sala.

Como ensina Heráclito, tudo está em constante transformação na sociedade, seus usos, costumes, forma de interação… Sem deixar de lado o que já vem sendo trabalhado por anos, o ensino tradicional coabita nas escolas com o ensino dinâmico das metodologias ativas.

“Estamos falando de uma geração nativo-digital, conectada desde pequenos, com foco atencional baixo, estimulação visual alta, um leque de informação disponíveis todo o tempo. Temos no Brasil uma situação gravíssima, estamos com um modelo curricular do século XIX, com professores do século XX, lidando com alunos do século XXI”, diz Márcia Kobayashi, diretora do Colégio St. James.

Em seu ponto de vista, o currículo é muito engessado e conteudista e, adicionado ao perfil do aluno atual, com dificuldade de atenção e constante agitação, as aulas meramente expositivas não tem apresentado resultados tão satisfatórios. “Por isso, estamos aplicando mais estratégias didáticas dentro da visão de metodologias ativas, para buscar assimilação, aproveitamento e uma aprendizagem melhor pelos alunos”. Márcia defende que tão importante quanto ouvir, observar e ler é também a prática. “Em nenhum momento estamos dizendo que o ler e o ouvir não funcionam mais, o que devemos fazer é buscar o equilíbrio. Portanto, o aluno vai ler, ouvir, observar, mas também vai praticar”.

As metodologias ativas colocam o aluno no foco do processo de ensino e aprendizagem ao despertar nele a busca própria por conhecimento, a experimentação, desenvolvendo a consciência de que ele tem capacidade e é o principal responsável por desenvolver seu conhecimento.

Nesse processo, errar pode ser visto como algo positivo, pois torna-se um propulsor para a busca de soluções mais adequadas por meio de outra visão, ir além, contando com a mentoria do professor. Aliás, o professor tem potencializada a importância de seu trabalho, desenvolvendo estratégias didáticas que permitam atingir melhores condições de aprendizagem problematizando e contextualizando assuntos, estimulando no aluno o pensamento crítico, criação, análise, comparação, trabalho em equipe, enfim, importantes habilidades cognitivas.

Alessandra Garcia, professora de informática, é a responsável por coordenar a implantação da metodologia ativa junto aos professores do Colégio PGD. “Auxilio os professores a planejar a aplicação dessas metodologias, repensar seus projetos e retificar sua prática docente. É um processo, tanto de mudança da postura dos professores, quanto dos alunos”, avalia.

Ela comenta que o colégio trabalha com a formação dos professores em metodologias ativas desde o ano passado, e a prática em sala de aula passou a ser introduzida neste ano. “Temos feito a introdução dessas metodologias aos poucos, para termos segurança no método”, pontua.

A professora destaca ainda que as metodologias ativas contemplam o incentivo à autonomia do aluno, partilha, interação, troca, capacidades exigidas cada vez mais pelo mercado de trabalho. “Se o aluno aprende isso desde cedo, a trabalhar em equipe, saber ouvir opiniões, trocar informações, buscar soluções, vai estar melhor preparado para o mercado. Afinal, formamos o aluno para a vida”.

Júlio Felis, diretor pedagógico do Colégio Positivo – Santa Maria aponta que, na aplicação dessas novas formas de ensino, há a preocupação de estimular o trabalho em equipe, cada aluno com sua responsabilidade, diferentemente de um agrupamento de estudantes. “E aí vemos a evolução do entendimento, a riqueza de informações que surge, muito distintas das aulas somente expositivas. O aluno pensa e gera seu conhecimento. É uma espécie de volta ao processo de descobertas da humanidade, quando os pensadores da antiguidade descobriam, criavam. O erro, inclusive, é um dos resultados mais importantes. Porque exige maior esforço para pensar outras soluções mais adequadas”, defende.

Felis relata que, para a escola, essa é uma grande evolução, mas que é preciso lembrar que os pais vêm de um processo tradicional de ensino. “Por isso, essa metodologia precisa ser bem explicada, para não assustar. A escola tem essa parceria com a família, para que ela participe e entenda
todo o processo de ensino e aprendizagem do aluno”.

Os educadores são unânimes em afirmar que os resultados da aplicação das metodologias ativas têm se mostrado extremamente satisfatórios. No entanto, a prática do ensino tradicional mantém-se necessária, principalmente porque os exames e vestibulares são baseados na abordagem tradicional. “Tem de se ter em mente que o protagonismo do
aluno é uma das estratégias de avaliação, não a única. As aulas tradicionais são importantes até mesmo para que ele não perca suas referências, para que ele saiba lidar com as provas. Além disso, o que vira rotina já desinteressa para o aluno”, comenta Felis.