MAIS COR, POR FAVOR!

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Thalita Carvalho, criadora do blog Casa de colorir e apresentadora do Mais cor, por favor, no GNT, implode as regras e defende o afeto e a intuição na hora de decorar

Por Layse Barnabé de Moraes
Foto Fábio Pitrez

Thalita Carvalho não tinha a menor ambição quando fez o blog Casa de colorir, lá em 2009. O projeto online foi criado, na verdade, para documentar as conquistas e decorações do primeiro apartamento. No começo, ela se perguntava: “Quem sou eu para inspirar alguém com tantos especialistas por aí?”. Depois ela percebeu que o que comunicava ia muito além do decorar: “Eu não falava de decoração com as pessoas. Falava de alegria. Eu injetava nas pessoas uma espécie de otimismo. Um jeito de fazer diferente”, ela conta durante sua palestra no 2º Arquitetando, evento promovido pela Yticon, em Londrina.
Há quase 10 anos, o propósito de Thalita já estava definido: falar sobre a felicidade que é deixar a sua casa do seu jeito: “a gente tem que ficar feliz com a nossa casa. Ela é um pilar do nosso bem-estar e da nossa felicidade”, explica ela. Sem apego às regras e defensora da apropriação dos defeitinhos, a carismática Thalita está hoje à frente do programa Mais cor, por favor, no GNT, já em sua quarta temporada.
“O Casa de colorir acabou agradando tanto as pessoas e gerando esse programa lindo porque a gente toca muito em uma questão afetiva que os adultos perderam. A gente não sabe mais lidar com cor, com ousadia, com sujeira, com alegria, com coragem. Acho que o Mais cor, por favor e o Casa de Colorir acabam ajudando as pessoas a se conectar com esse tipo de alegria que a gente desaprendeu a ter, alegria em deixar a casa com o seu jeito, em fazer as pessoas que moram com você mais felizes, de ter a autonomia de descobrir uma nova habilidade, de ver as pessoas felizes na sua casa! Só alegria”, ela revela.
Faça você mesmo
No programa, assim como em sua vida real, documentada também pelo Instagram @casadecolorir , Thalita tem como norte a coragem de colocar em prática o próprio desejo, independente de errar ou acertar: “Eu sempre fui muito entusiasta de artesanatos desde pequena. Minha colônia de férias era em escolinhas de artesanato. Minha mãe também sempre foi uma pessoa que fez as coisas. Quebrou, ela consertava. As pessoas costumam não colocar a mão na massa por medo de errar. Mas todo mundo começa errando. A dica que eu dou é começar com projetinhos pequenos, para errar pequeno. Nunca colocou a mão na massa? Pinta um banquinho, pinta uma porta, pinta uma meia parede”, sugere. Para exercer a criatividade sem medo, a dica é simples: estar sempre atenta. “Meu processo criativo é um olhar sempre ligado”, conta ela.
Além da alegria, Thalita ensina seu público a não terceirizar as inspirações e defende o ‘faça você mesmo’, o famoso DIY (Do it yourself): “Quando eu transformo a minha casa, eu coloco em prática o que estou ensinando no programa, no Instagram, no blog. O faça você mesmo pode trazer essa alegria, que às vezes ao comprar ou mandar alguém fazer um objeto pode ficar caro. Cansa, mas também traz felicidade. E é um bem pra todo mundo que divide o espaço com você”.
Defensora dessa espécie de desmanual da decoração, Thalita só segue uma única regra: não perder a oportunidade de se apaixonar pela própria casa. “A gente precisa saber do que a gente gosta. O meu barato é pintar parede, mas para descobrir isso eu circulei por todas as esferas. É preciso se reconhecer no lar. Entender que aquela casa não é de mais ninguém. Aquela casa é dessa pessoa, porque ali tem as memórias, as lembranças, os objetos que são afetivos para cada um, a cor que você gosta e o cheiro que você gosta. Acho que é humanizar a casa. Enxergá-la de uma maneira afetiva, parando de olhar os defeitos e olhando para ela de maneira mais criativa. Aí você se apaixona pela própria casa. Poder dar as ferramentas, sejam técnicas ou emocionais, para que as pessoas comecem a se apropriar da sua casa é ótimo!”.