LUIZ GUSTAVO FORTE

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Administrador por formação e fascinado por música por paixão, Luiz divide com a Drops as pérolas de seu acervo pessoal

Por Júlia Marroni e Layse Barnabé de Moraes

Fotos Fábio Pitrez

 

Além de ser administrador, Luiz Gustavo Forte, um dos nomes à frente da confeitaria londrinense Fura Bolo, é apaixonado por música. E mais do que isso: Luiz respira música desde que se conhece por gente. Apesar de ninguém ser músico em sua família, ele cresceu em um ambiente onde todo mundo aprecia essa arte: “Meus pais sempre levavam músicos para tocar na casa deles. Lembro-me de acordar no meio da noite com serenatas, os amigos dos meus pais tocando acordeão, pandeiro…”.

Além de pesquisador encantado pelo assunto, Luiz é, acima de tudo, um entusiasta há muito tempo: “Com dez anos já gravava fitas, já fazia a minhas coletâneas. Ainda nessa idade, quando ia às festas dos amigos, me pediam para levar minha caixa com as fitas. Eram as minhas fitas que tocavam em praticamente todas as festas”, conta ele.

Luiz mantém o perfil no Instagram @nainstante, no qual mostra um pouco do seu universo cultural, focando em músicas, livros e filmes: “O perfil ainda é bem recente, mas diz bastante sobre o que eu gosto e o que eu quero compartilhar”, conta ele.

Convidado a dividir seu universo particular com a Drops, ele já alertou que seria monotemático: música, música e música.

 

“Os Beatles foram minha primeira influência musical. O primeiro tipo de música que tive contato depois das músicas infantis. Não são nem os melhores discos, afinal são duas coletâneas. Mas tudo começou com eles, e foram fundamentais. A partir dos seis, sete anos, eu pegava sozinho o disco e colocava para tocar. Isso teve consequências: tornei-me fã de rock e, a partir disso, de Paul McCartney, Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, The Beach Boys. Os Beatles foram fundamentais em termos gerais de música, foi aqui que eu peguei gosto. Se eu tivesse que escolher uma influência só, sem dúvida seria essa. Se eu tivesse que escolher um disco para levar para uma ilha deserta seria dos Beatles”.

 

 

“Meu avô paterno que comprou essa caixa. Quando fui à casa em que ele morava,  comecei a bisbilhotar no armário de filmes dele e encontrei essa caixa em que estão, em ordem cronológica, todas as músicas que o Frank Sinatra gravou. É uma caixa limitada. Quando a encontrei, peguei. Eles podiam ficar com o que eles quisessem, mas essa caixa seria minha, por ser uma coisa que eu gosto e pelo valor sentimental.  Meus primos e meu irmão disseram que me achavam a pessoa mais adequada a ficar com ela”.

 

“Meu pai ouvia muita música lá em casa. Ele ouvia muito Sinatra, como meus avós. Afinal o Sinatra atravessou gerações. O cara que gosta de música tem todo um romantismo. Tem a capa que é mais bonita, o encarte, o plástico, o cheiro… tem todo um processo. O colecionador mesmo, a pessoa que gosta, vai continuar no vinil”.

“Como eu já disse, Beatles são a minha principal influência. Eles simbolizam o meu gosto por música, então até hoje eu continuo lendo livros deles. Esses não são os únicos que eu li. Sobre o Paul McCartney, eu já li uns dez livros; sobre Beatles, uns 15. Cada um com uma visão diferente: tem uma biografia mais geral, tem um que é mais sobre as brigas, tem um que fala sobre a parte técnica da gravação, outro que foca no pós-Beatles e por aí vai. Já o do Paul McCartney é porque ele é meu Beatle preferido. Foi um cara que continuou com uma carreira solo muito forte, principalmente na década de 1980. Acho o Paul o maior pop star de todos os tempos”.

 

“Essa biografia da Elis é uma das melhores biografias já escritas no Brasil, sem dúvida. Fala sobre o último dia de vida dela. Você não sabe se você quer chorar ou se você quer ajudá-la. Esse livro é maravilhoso por inteiro, mas o final é de emocionar, de chorar. Já na música nacional, um disco fundamental para mim é Elis e Tom. Você descobre dois gênios em um só disco”.

 

“Cinema é minha outra paixão, não igual a musica, mas também por influência dos meus pais. Toda vez que assisto descubro algo diferente. O poderoso chefão é uma obra prima. Considero a melhor sequência na história do cinema. Todos os filmes são nota dez. Se tiver passando na TV, paro e assisto de novo. Se eu falar que assisti 500 vezes os três, eu não estou exagerando. Considero a interpretação de Marlon Brando como Vito Corleone a maior interpretação do cinema”.

 

 

 

“O campeão me marcou muito! Eu lembro a primeira vez em que eu vi esse filme, eu chorei igual uma criança. Na verdade eu assisti quando era criança. Até hoje eu choro todas as vezes em que assisto. Bons companheiros também é outro filmaço. Foi mais ou menos na mesma época de O poderoso chefão que eu entrei nessa linha de Bons companheiros, Os intocáveis e Apocalypse now – para mim, o melhor filme de guerra. Mas O campeão é o que mais choro. Mas, no geral, emociono-me mais ouvindo musica do que com filmes”.

 

“A primeira vez em que eu vi o João Donato foi em 1995, em um programa de entretenimento na TV Cultura. Ele tocou umas duas ou três músicas e eu achei muito bom. Inclusive já conhecia algumas das músicas, mas não sabia que eram dele. Hoje você encontra mais de 30 discos do João Donato em cd e eu falo com carinho e orgulho que eu tenho todos, sem falta. Ele virou um cara cult pelos artistas. Tim Maia, Cazuza, Martinho da Vila, Chico Buarque, Marisa Monte, Marcelo D2, todos começaram a gravar e fazer parcerias com o João Donato. Eu acho que, na música, ele só perde para o Tom Jobim. Ele é mais eclético e o Tom Jobim é mais erudito. O João Donato tem uma influência de jazz, de funk americano, de música cubana… é uma mistura. Hoje, vivo, ele é o insuperável na música brasileira para mim”.