LUMUS! E FEZ-SE A LUZ

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Além de desempenhar sua função primária ao proporcionar visibilidade, conforto e foco, a iluminação passou a favorecer a valorização das composições e a promoção de experiências visuais, tornando-se assim uma das partes mais relevantes da decoração

 

Por Edson Faria

Foto abertura | Fonte: Weiss Arquitetura – CasaCorSP 2019 | Foto: Manu Oristanio

 

Seja natural ou artificialmente, a luz sempre permeou a existência humana em virtude da sua importância substancial no modo como o homem vê, percebe e se comporta diante do mundo. Nesse sentido, até meados do século XIX, quando Thomas Edison fez sua lâmpada elétrica brilhar, ampliando o conforto e o aproveitamento das noites, tochas, velas e lampiões eram considerados artifícios preciosos no desempenho dessa função. Embora unidades similares já houvessem sido acesas por diversos cientistas e o fogo já estivesse sob controle desde pré-história, foram os princípios do advento de Edison que viabilizaram a iluminação pública e privativa de maneira segura e eficiente, ao ponto de chegarem ao século XXI como a principal fonte desse recurso.

Como não poderia ser diferente, tamanha inovação acarretou rapidamente em diversas mudanças socioeconômicas e tecnológicas, e, assim, o que surgiu sob premissas de praticidade e funcionalidade logo agregou as mais variadas funções e se tornou um elemento fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento com valor estético. Da macro à microescala, a plasticidade da luz se mostrou a protagonista na criação de diferentes pontos de vista de um mesmo objeto.

Dentro das residências, além de desempenhar sua função primária ao proporcionar visibilidade, conforto e foco, a iluminação passou a favorecer a valorização das composições e a promoção de experiências visuais, tornando-se assim uma das partes mais relevantes da decoração, a ponto de ser idealizada em compasso com os projetos arquitetônico e de interiores. Esse entrelaçamento ou compatibilização projetual tem por finalidade obter o melhor aproveitamento dos espaços e a maior eficiência desse recurso, haja vista que existe uma correlação íntima e direta entre o tipo de iluminação utilizada, a quantidade de pontos, o tamanho dos ambientes e a disposição do mobiliário. Dessa forma, se bem concebido, o projeto luminotécnico é versátil, cênico e cria nuances e efeitos que conciliam a praticidade e a estética dentro da ambientação.

Fonte: Barbara Jalles – CasaCorSP 2019 | Foto: Rafael Renzo

Abajures, arandelas, spots, luminárias, lustres e plafons são alguns dos artefatos especificados por profissionais no momento de abrilhantar seus projetos. Tamanha diversidade de tipologias se deve às sensações pretendidas em relação a forma como a luz será propagada dentro das composições, visto que os fachos podem incidir de maneira direta, indireta ou difusa sobre as superfícies.

A iluminação direta é aquela que atinge diretamente os elementos da composição e pode ser obtida através de spots, pendentes, luminárias de piso ou de mesa. Por ser uma luz mais dura e cansativa, seu uso é indicado para áreas que requerem atenção e foco no desenvolvimento de atividades ou para evidenciar detalhes da ambientação.

No caso da incidência indireta, a luz é refletida sobre um anteparo, como o forro de gesso, antes de atingir o ponto a ser iluminado. Dessa forma, por não apresentar direcionamento do foco luminoso, ela não atinge os olhos do observador, resultando em uma atmosfera mais suave e uniforme, muito adequada para ambientes de relaxamento e aconchego como quartos e salas intimas.

Por último, pode-se citar a iluminação difusa que, possuindo as mesmas características da anterior, não promove sombras fortes e demarcadas, podendo ser obtida por meio arandelas e spots que possuam vidro leitoso ou tecido que funcionem como difusores ou filtros de luz.

Fonte: Gustavo Pachoalim – CasaCorSP 2018 | Foto: Rafael Renzo

Para aqueles que se questionam sobre qual caminho seguir, o ideal é conciliar as três formas de propagação e tirar proveito de cada uma delas levando em consideração as peculiaridades e usos de cada ambiente. No quarto por exemplo, para a iluminação geral é aconselhável a incidência indireta, por se tratar de um espaço de relaxamento e descanso. No entanto, ter luminárias de foco direto ou abajures nas cabeceiras auxiliará aqueles que gostam da leitura antes de dormir. Da mesma forma, o uso de uma arandela difusora será útil nas idas ao banheiro durante a noite. Como pode-se ver, a luz é um artificio versátil, capaz de contribuir de diversas maneiras na criação da atmosfera perfeita para a especificidade de cada ambiente.  Afinal, o que funciona na sala de estar não necessariamente funcionará na cozinha ou no quarto.

Com relação a cor de luz a ser utilizada é fato que os aspectos estéticos se sobressaem no momento de iluminar, mas deve-se ter em mente que as consequências dessa escolha vão muito além do simples embelezar, comprometendo diretamente as reações psicológicas e fisiológicas dos usuários. Por isso, embora haja subjetividade em tudo relacionado a decoração, há duas regras aconselháveis quando se aborda esse tema: a primeira é o uso de luzes amarelas para salas e quartos em decorrência do intimismo promovido, e de luzes frias para áreas de trabalho e cozinha. Já a segunda é nunca misturar tonalidades de luz em um mesmo espaço ou em ambientes integrados.  Seguindo esses dois preceitos, o ambiente será corretamente iluminado, a composição será favorecida e as atividades diárias se tornarão mais agradáveis.

Fonte: Pedro Lazaro – CasaCorSP 2019 | Foto: Romulo Fialdini

Hoje as tendências apontam para projetos luminotécnicos mais simples e limpos que harmonizem e valorizem decorações que prezam pelo mínimo e o essencial. Esse novo contexto de preferenciais senso espaciais acaba por intensificar a busca pelo poder transformador da luz, seja na ampliação dos espaços, na promoção de acolhimento ou na evidenciação de algum elemento decorativo. Uma casa bem decorada e com a adequada iluminação é capaz de agregar valores e despertar sensações através da simples escolha dos luminárias corretas.

Com relação as lâmpadas incandescentes que seguiam os princípios de Edison, estas sobreviveram até 2017, quando sua comercialização foi proibida. O advento e evolução do LED com sua economia de 80%, eficiência e durabilidade superiores em relação as anteriores o tornaram o novo pilar do setor em todas as áreas.